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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Contradições da 6ª economia do mundo


Por Igor Felippe Santos

O maniqueísmo domina as análises sobre o Brasil e o desempenho do governo Lula/Dilma. De um lado, alguns avaliam que o governo é responsável por dádivas de Deus. Do outro, não fez nada que preste e merece as chamas do inferno. A leitura do estudo da consultoria britânica, especializada em análises econômicas, de que o Brasil ocupará o posto de sexta maior economia do mundo seguiu o mesmo padrão.

Nos últimos oito anos, o Brasil teve um crescimento baixo em comparação com os outros países emergentes, mas bem maior do que no sombrio período do FHC. No entanto, o principal fator para o Brasil chegar ao posto foi a crise capitalista de 2008, que derrubou países centrais.

O fortalecimento do mercado interno, com a valorização do salário mínimo, políticas de crédito e políticas sociais também foi importante, mas não central para o país se tornar a sexta economia do mundo. Isso acontece porque o mercado interno brasileiro, embora fortalecido, não está no centro da dinâmica da nossa economia, que é dependente do mercado externo.

Quem sustenta a economia brasileira é a exportação de matéria-prima mineral e agrícola, controlada por empresas transnacionais e do mercado financeiro que não paga impostos na exportação (por causa da Lei Kandir, uma herança maldita do governo FHC mantida até hoje), para China e outros países centrais.

Por isso, a “grande” vantagem comparativa do Brasil na disputa capitalista internacional é o baixo valor de troca da força de trabalho (nossos trabalhadores têm um nível de renda menor que dos países centrais, assim são superexplorados), a exploração de recursos agrícolas e minerais e o desrespeito a direitos sociais básicos.

O Brasil é uma formação social fundada na desigualdade social e violenta concentração de renda, riqueza e capital. Isso é o paraíso para as empresas transnacionais. Quanto maior essa concentração (viável pela falta de um sistema tributário progressivo, que taxe mais que tem mais e movimenta mais dinheiro), maior as possibilidades de investimentos e lucros.

Um dos elementos que garante essas condições é o pagamento de salários baixos. Segundo dados preliminares do Censo divulgados nesta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a maioria dos postos de trabalho criados a partir de 2000 foi ocupada por trabalhadores com remuneração de até dois salários mínimos (igual a R$ 1.244 com o novo salário mínimo). Essa faixa de remuneração representa 63% do total em 2010.

Em relação à exploração dos recursos naturais, o país passa por uma ofensiva do capital estrangeiro, para controlar as nossas terras e a produção agrícola. A desnacionalização das terras e da agricultura chega a níveis inéditos, enquanto o governo não tem instrumentos para mensurar e controlar. De 2002 a 2008, empresas do agronegócio trouxeram uma avalanche de investimentos estrangeiros, que somaram US$ 46,91 bilhões, de acordo com dados do Banco Central.

Ao mesmo tempo, enquanto exporta matéria-prima mineral, para que os países centrais produzam máquinas, equipamentos e produtos eletrônicos, o Brasil passa por um grave processo de desindustrialização. Uma moção do Congresso Brasileiro de Economia, realizado em setembro, apontou que “o Brasil não pode continuar com o atual processo de aumento da dependência da importação de produtos industrializados. A atual substituição da produção interna por produtos importados ocorre antes que o país tenha alcançado o domínio dos processos tecnológicos estratégicos para assegurar a sustentabilidade de seu desenvolvimento soberano”.

Por fim, os direitos sociais dos brasileiros são desrespeitados, o que abre a perspectiva de investimentos do grande capital em empresas do setor de serviços e, ao mesmo tempo, “libera” o Estado de aplicar os recursos dos impostos nessas áreas para pagar os juros, amortizações e os títulos da dívida pública, que são controladas por bancos brasileiros e estrangeiros e empresas transnacionais. Do orçamento geral da União, apenas em 2010, R$ 635 bilhões (que representa cerca de 45% do montante total do orçamento) para o pagamento de juros, amortizações e o refinanciamento da dívida pública brasileira.

O que o Brasil oferece ao mundo, ou melhor, às empresas capitalistas transnacionais são trabalhadores mal remunerados, condições para concentração de renda e riqueza para novos investimentos, terras (além de sol e água) para a produção de commodities para exportação, minérios sem valor agregado para os países centrais e mercado para investimentos no setor de serviços.

Aplaudir com entusiamo e sem fazer necessárias ponderações ao 6º lugar do Brasil na economia mundial é comemorar a consolidação e expansão de um modelo econômico que se sustenta nas más condições de vida do povo brasileiro, na desigualdade de riqueza/renda e na desnacionalização/desindustrialização da economia, que fazem do Brasil o paraísos das empresas transnacionais.

Só valerá a pena para o povo brasileiro continuar crescendo na lista das maiores economias do mundo se foram realizadas mudanças estruturais – que possam garantir melhores condições de vida a toda a população, com maiores salários e a efetivação dos direitos sociais, e a independência econômica, industrial e tecnológica em relação às empresas estrangeiras – em torno de um projeto popular para o desenvolvimento do Brasil. Que o povo brasileiro se organize e lute para construí-lo em 2012!

Igor Felippe Santos é jornalista, editor da Página do MST, do conselho político do jornal Brasil de Fato e do Centro de Estudos Barão de Itararé.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

UM OLHAR DO LADO DE LÁ, VISÃO DO BRASIL NA FRANÇA


A eleição vista do lado de cá (da França)


Uma visão para além das fronteiras territoriais. Na mensagem abaixo saiba como nosso país tem sido avaliado pela imprensa francesa, a partir do relato de uma brasileira.

Mensagem

Eu me senti na obrigação de me pronunciar diante das barbaridades que tenho acompanhado nestas eleições. Sou brasileira cursando um mestrado na França, portanto tenho acompanhado, infelizmente de longe, essas eleições e vejo nas redes sociais declarações absurdas de apoio à direita reacionária brasileira.

Comecei então a fazer um paralelo com o que posso acompanhar daqui da França sobre o Brasil, governo Lula e as eleições. Aqui na França, o Brasil é ‘O’ país revolucionário que colocou Lula no poder e conseguiu mudar sua posição internacional, todas as revistas e jornais comentam com muito respeito e admiração o crescimento do Brasil, coloquei em anexo 3 imagens.

A primeira, a revista Les Inrockuptibles (trocadilho de incorruptível com rock) cuja capa da semana de 15-21 de setembro é a foto de Lula na camisa de uma mulher e a manchete “Brasil – o país onde a esquerda venceu”, no sumário a reportagem está marcada como “Viva Lula, o Mandela do Brasil, um modelo a seguir?” e a reportagem explica que ele tem mais de 80% de aprovação, fala da sucessão, sobre a época de Lula sindicalista metalúrgico, de Dilma, da redução significativa da pobreza e do boom diplomático durante o seu governo e afirmam “ele soube evitar o populismo (as vezes ditatorial), que é comum à esquerda que chega ao poder e soube fazer ainda melhor, soube ser ao mesmo tempo economicamente eficaz, diminuir a desigualdade social e ser democraticamente impecável. Ele resolveu uma equação quase impossível de ser esquerda no poder [...] Lula FEZ e qual governante tem um balanço como esse nos últimos 10 anos?

Na França, na Europa, sonhamos com isso” A segunda imagem é a capa da revista “Le Monde” que é uma revista mensal do famoso jornal. Essa é uma edição especial, fora de série, de 100 páginas só sobre o Brasil onde a capa diz “Brasil um gigante se impõe”. A revista começa com um apanhado de citações de discursos de Lula, tece comentários sobre os candidatos Serra (o oponente de sempre), Marina (a antiga pupila) e Dilma (a designada para herdar), fala também sobre “Lula a consagração de um homem do povo” onde eles afirmam que “a ascensão do presidente acompanhou a do Brasil”.

São citados também o ficha limpa como ‘projeto anti-corrupção’; o pré-Sal (o ouro preto) que é o ‘passaporte para o futuro’ dando uma ênfase às ações de Lula pra que o pré-sal, bem como a Petrobrás, permaneçam estatais; os programas sociais como o “Bolsa Família”; os Sem-Terra e alguns aspectos geográficos e culturais da nossa sociedade. A 3a imagem é a capa do “The Economist” uma das maiores e mais respeitadas revistas do mundo, que tem na capa o Cristo Redentor decolando e sua manchete é “O Brasil decola”, ele não poupa elogios ao governo Lula, afirma que o Brasil vive nesse momento uma ‘época de ouro da economia’.

Há ainda, um comparativo entre os 8 anos de governo Lula e FHC, que expõe vários dados que demonstram o crescimento inegável da economia brasileira, e termina da seguinte forma “MERCADO INTERNACIONAL: FHC- Brasil sem crédito X LULA – Brasil reconhecido como grande investimento”. Além destas revistas, muitas outras reportagens sobre nosso país e sobre a importância desta sucessão presidencial, têm sido dilvulgadas, o Brasil é o centro das atenções e existe um anseio por parte dos franceses de que Dilma (a eleita de Lula, segundo eles) não ganhe.

O jornal “Le Monde”, por exemplo, na segunda feira 04/10 fez uma reportagem sobre as eleições onde dizia que “o Brasil não quis dar um cheque em branco a Dilma” e continuava fazendo um apanhado geral das eleições e dando os créditos do 2o turno ao crescimento de Marina (‘La Verte’ que significa ‘a verde’); Serra apesar de ser o opositor de Dilma no segundo turno quase não foi citado é impressionante a sua insignificância política internacional, as pessoas se espantam ao saber que na verdade o segundo turno não é entre Dilma e ‘La Verte’. A guinada que o Brasil deu nesses 8 anos é reconhecida, admirada e quase que idolatrada fora do país, Lula é reconhecido como o mentor e executor desta mudança.

Não é possível que os franceses tenham temor de que o Brasil volte às mãos da direita reacionária e retroceda e nós brasileiros deixemos isso acontecer de mãos beijadas, temos que ir à LUTA, ir às ruas, fazer campanha, circular informações, gerar debates e nos movimentarmos pra que no dia 31 a vitória seja da ‘esquerda que venceu e fez o Brasil gigante se impor’.

Camilla Barros
 




terça-feira, 19 de outubro de 2010

SERRA E O ACORDO DE FHC, QUE SELA A ENTREGA DO BRASIL CASO ESSE SEJA ELEITO.

FHC DIZ A AMERICANOS QUE DOMOU AÉCIO E NORDESTE NÃO VAI VENCER SÃO PAULO

Laerte Braga

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deixou o Hotel das Cataratas em Foz do Iguaçu na manhã de segunda-feira por volta das oito horas. Junto com ele viajaram alguns dos 150 investidores estrangeiros que no sábado e domingo participaram de um evento organizado por um diretor do grupo GLOBO, para assegurar a venda de estatais brasileiras (BANCO DO BRASIL, PETROBRAS e ITAIPU), como compromisso de José FHC Serra.


Os demais investidores, em sua maioria, deixaram o hotel na terça após o café da manhã.

A conversa oficial de FHC com os empresários ocorreu na noite de domingo em um jantar cercado de toda a segurança possível e fechado à imprensa.

Ato contínuo ao jantar o ex-presidente, em conversa informal com os investidores disse, entre outras coisas, que o “Aécio está domado. É só um menino que acha que pode ser presidente por ser neto de Tancredo. É neto, não é Tancredo”.

FHC procurou afastar os receios dos investidores em relação às pesquisas que indicam vitória maciça de Dilma Roussef no Nordeste. “Com o Aécio neutralizado o Nordeste não conseguirá derrotar São Paulo e Minas”. E acrescentou – “as coisas no Brasil hoje não se decidem em Brasília, nem no Nordeste, mas em São Paulo. Lá está a locomotiva, o resto da composição vem atrás sem poder contestar”.

Sobre os escândalos do governo José FHC Serra principalmente o último, envolvendo o engenheiro Paulo Preto, Fernando Henrique Cardoso disse que “essa figura é um arranjo do Aloísio (referia-se a Aloísio Nunes, senador eleito do PSDB paulista), mas já está controlado. Coisa do Aloísio e da filha do Serra, a imprensa não vai tratar disso por muito tempo, está sob nosso controle”.

O homem de 4 milhões de dólares
Segundo FHC, “o Serra vai continuar mantendo essa postura nos debates, ele sabe fazer bem esse jogo, e na última semana a mídia vai aumentar o tom das denúncias contra Dilma. Temos o apoio de alguns bispos e o povo brasileiro é muito influenciável em se tratando de religião. O D. Luís está disposto a tudo, é nosso sem limites, é amigo íntimo do Alckimin. A descoberta da gráfica foi um golpe de sorte do PT, um vacilo da nossa segurança”.

O receio da influência de Tarso Genro no Rio Grande do Sul, foi eleito governador já no primeiro turno, também foi objeto de comentário do ex-presidente. “Vocês já notaram que quase não existe gaúcho negro? O eleitorado lá é branco em sua grande maioria e vai votar conosco”.

Marina da Silva, na opinião de FHC “está fadada a ser uma nova Heloísa Helena, vai acabar sendo vereadora. O encanto do primeiro turno terminou, foi ajudada pelos nossos para forçar o segundo turno”.

Para o ex-presidente a privatização de ITAIPU, BANCO DO BRASIL e PETROBRAS “deve ser tratada com calma e paciência, vamos ter que contornar algumas dificuldades com militares e é preciso ir amaciando esse pessoal com calma”

E sobre bases militares norte-americanas no Brasil. “É o assunto mais delicado. Um tema explosivo, mas temos alguns apoios nas forças armadas e vamos ter que negociar esse assunto com muito tato”.

Perguntado sobre as reações de sindicatos, centrais sindicais, da população em geral contra a entrega da PETROBRAS, o ex-presidente afirmou que à época que privatizou a VALE DO RIO DOCE enfrentou essas resistências “com polícia na rua e pronto”.

“O brasileiro é passivo não vai lutar por muito tempo contra a força do governo”.

FHC falou ainda sobre a possibilidade de ressuscitar a idéia da ALCA – ALIANÇA DE LIVRE COMÉRCIO DAS AMÉRICAS – “com outro nome, esse ficou marcado negativamente”.

E assegurou aos investidores norte-americanos que os acordos para compra de submarinos nucleares franceses serão revistos e dificultados. “Não temos necessidade desses submarinos”. Sobre a compra de aviões para a FAB foi sarcástico – “para que? Meia dúzia de brigadeiros brincarem de guerra aérea?”

Para FHC “quando um brasileiro nasce já começa a sonhar com São Paulo. Não precisam se preocupar com o resto do Brasil, muito menos com Minas Gerais. Foi-se o tempo que os mineiros decidiam alguma coisa na política brasileira. São Paulo hoje é a capital real do Brasil”.

Fernando Henrique jactou-se que fosse ele o candidato e já teria liquidado a fatura a mais tempo. “Serra não e Fernando Henrique, costuma se perder em algumas coisas e não sabe absorver golpes, fica irado e acaba criando problemas desnecessários. Mas vou estar por trás e asseguro cada compromisso que assumi aqui.”

 cabeça (FHC) e os tentáculos (outros)

“Lula não tem coragem de debater comigo. É um analfabeto, não passa de um pobretão que virou presidente num golpe de sorte. Acabou o tempo dele. Não vai eleger Dilma e vai terminar seus dias no ostracismo”.


Foi o arremate do acordo que selou a entrega do Brasil.

Breve nas telas, se José FHC Serra virar presidente, BRAZIL. Com “Z” assim e todos falando inglês.

FHC vai ser nomeado supremo sacerdote do novo País

Do Blog: QTML

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A MULHER MAIS PODEROSA DO MUNDO

Reproduzo o artigo do jornal inglês “The Independent”, originalmente publicado no Brasil pela “CartaMaior”.

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por Hugh O’Shaughnessy, no ”The Independent”

A mulher mais poderosa do mundo começará a andar com as próprias pernas no próximo fim de semana. Forte e vigorosa aos 63 anos, essa ex-líder da resistência a uma ditadura militar (que a torturou) se prepara para conquistar o seu lugar como Presidente do Brasil.

Como chefe de estado, a Presidente Dilma Rousseff irá se tornar mais poderosa que a Chanceler da Alemanha, Angela Merkel e que a Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton: seu país enorme de 200 milhões de pessoas está comemorando seu novo tesouro petrolífero. A taxa de crescimento do Brasil, rivalizando com a China, é algo que a Europa e Washington podem apenas invejar.

Sua ampla vitória prevista para a próxima eleição presidencial será comemorada com encantamento por milhões. Marca a demolição final do “estado de segurança nacional”, um arranjo que os governos conservadores, nos EUA e na Europa uma vez tomaram como seu melhor artifício para limitar a democracia e a reforma. Ele sustenta um status quo corrompido que mantém a imensa maioria na pobreza na América Latina, enquanto favorece seus amigos ricos.

A senhora Rousseff, a filha de um imigrante búlgaro no Brasil e de sua esposa, professora primária, foi beneficiada por ser, de fato, a primeira ministra do imensamente popular Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ex-líder sindical. Mas com uma história de determinação e sucesso (que inclui ter se curado de um câncer linfático), essa companheira, mãe e avó será mulher por si mesma. As pesquisas mostram que ela construiu uma posição inexpugnável – de mais de 50%, comparado com menos de 30% – sobre o seu rival mais próximo, homem enfadonho de centro, chamado José Serra. Há pouca dúvida de que ela estará instalada no Palácio Presidencial Alvorada de Brasília, em janeiro.

Assim como o Presidente Jose Mujica do Uruguai, vizinho do Brasil, a senhora Rousseff não se constrange com um passado numa guerrilha urbana, que incluiu o combate a generais e um tempo na cadeia como prisioneira política.

Quando menina, na provinciana cidade de Belo Horizonte, ela diz que sonhava respectivamente em se tornar bailarina, bombeira e uma artista de trapézio. As freiras de sua escola levavam suas turmas para as áreas pobres para mostrá-las a grande desigualdade entre a minoria de classe média e a vasta maioria de pobres. Ela lembra que quando um menino pobre de olhos tristes chegou à porta da casa de sua família ela rasgou uma nota de dinheiro pela metade e dividiu com ele, sem saber que metade de uma nota não tinha valor.

Seu pai, Pedro, morreu quando ela tinha 14 anos, mas a essas alturas ele já tinha apresentado a Dilma os romances de Zola e Dostoiévski. Depois disso, ela e seus irmãos tiveram de batalhar duro com sua mãe para alcançar seus objetivos. Aos 16 anos ela estava na POLOP (Política Operária), um grupo organizado por fora do tradicional Partido Comunista Brasileiro que buscava trazer o socialismo para quem pouco sabia a seu respeito.

Os generais tomaram o poder em 1964 e instauraram um reino de terror para defender o que chamaram “segurança nacional”. Ela se juntou aos grupos radicais secretos que não viam nada de errado em pegar em armas para combater um regime militar ilegítimo. Além de agradarem aos ricos e esmagar sindicatos e classes baixas, os generais censuraram a imprensa, proibindo editores de deixarem espaços vazios nos jornais para mostrar onde as notícias tinham sido suprimidas.

A senhora Rousseff terminou na clandestina VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares). Nos anos 60 e 70, os membros dessas organizações sequestravam diplomatas estrangeiros para resgatar prisioneiros: um embaixador dos EUA foi trocado por uma dúzia de prisioneiros políticos; um embaixador alemão foi trocado por 40 militantes; um representante suíço, trocado por 70. Eles também balearam torturadores especialistas estrangeiros enviados para treinar os esquadrões da morte dos generais. Embora diga que nunca usou armas, ela chegou a ser capturada e torturada pela polícia secreta na equivalente brasileira de Abu Ghraib, o presídio Tiradentes, em São Paulo. Ela recebeu uma sentença de 25 meses por “subversão” e foi libertada depois de três anos. Hoje ela confessa abertamente ter “querido mudar o mundo”.

Em 1973 ela se mudou para o próspero estado do sul, o Rio Grande do Sul, onde seu segundo marido, um advogado, estava terminando de cumprir sua pena como prisioneiro político (seu primeiro casamento com um jovem militante de esquerda, Claudio Galeno, não sobreviveu às tensões de duas pessoas na correria, em cidades diferentes). Ela voltou à universidade, começou a trabalhar para o governo do estado em 1975, e teve uma filha, Paula.

Em 1986 ela foi nomeada secretária de finanças da cidade de Porto Alegre, a capital do estado, onde seus talentos políticos começaram a florescer. Os anos 1990 foram anos de bons ventos para ela. Em 1993 ela foi nomeada secretária de minas e energia do estado, e impulsionou amplamente o aumento da produção de energia, assegurando que o estado enfrentasse o racionamento de energia de que o resto do país padeceu.

Ela tinha mil quilômetros de novas linhas de energia elétrica, novas barragens e estações de energia térmica construídas, enquanto persuadia os cidadãos a desligarem as luzes sempre que pudessem. Sua estrela política começou a brilhar muito. Mas em 1994, depois de 24 anos juntos, ela se separou do Senhor Araújo, aparentemente de maneira amigável. Ao mesmo tempo ela se voltou à vida acadêmica e política, mas sua tentativa de concluir o doutorado em ciências sociais fracassou em 1998.

Em 2000 ela adquiriu seu espaço com Lula e seu Partido dos Trabalhadores, que se volta sucessivamente para a combinação de crescimento econômico com o ataque à pobreza. Os dois se deram bem imediatamente e ela se tornou sua primeira ministra de energia em 2003. Dois anos depois ele a tornou chefe da casa civil e desde então passou a apostar nela para a sua sucessão. Ela estava ao lado de Lula quando o Brasil encontrou uma vasta camada de petróleo, ajudando o líder que muitos da mídia européia e estadunidense denunciaram uma década atrás como um militante da extrema esquerda a retirar 24 milhões de brasileiros da pobreza. Lula estava com ela em abril do ano passado quando foi diagnosticada com um câncer linfático, uma condição declarada sob controle há um ano. Denúncias recentes de irregularidades financeiras entre membros de sua equipe quando estava no governo não parecem ter abalado a popularidade da candidata.

A Senhora Rousseff provavelmente convidará o Presidente Mujica do Uruguai para sua posse no Ano Novo. O Presidente Evo Morales, da Bolívia, o Presidente Hugo Chávez, da Venezuela e o Presidente Lugo, do Paraguai – outros líderes bem sucedidos da América do Sul que, como ela, têm sofrido ataques de campanhas impiedosas de degradação na mídia ocidental – certamente também estarão lá. Será uma celebração da decência política – e do feminismo.

Tradução: Katarina Peixoto

domingo, 26 de setembro de 2010

O PAÍS DO FUTURO.

"Brasil ficará mais forte se trabalhar com Rússia, Índia e China"



"O Brasil ficará muito mais forte se trabalhar com a Rússia, China e Índia na construção de uma alternativa para o Banco Mundial e para o FMI. É preciso criar sua própria estratégia de desenvolvimento para ficar livre da estratégia neoliberal que falhou. Juntos, vocês podem criar uma alternativa e preservar suas riquezas em vez de deixar que seja explorada pelo Norte", diz o economista Michael Hudson, em entrevista à Carta Maior. "Brasil deve agir na defesa de seus interesses. Essa é a única forma de ter influencia", acrescenta.

Cláudia Guerreiro - Especial para Carta Maior

Severo crítico das políticas econômicas desenvolvidas pelos Estados Unidos e Europa para os países emergentes, o economista norte-americano Michael Hudson explica em entrevista à Carta Maior o seu ponto de vista para o desenvolvimento brasileiro no mundo pós-crise.

Como funciona a economia dos países emergentes no mundo pós-crise?

MICHAEL HUDSON: As categorias usadas em estatísticas refletem uma teoria econômica. As pessoas acham que as estatísticas são empíricas, mas na verdade elas refletem categorias teóricas e a maior parte das teorias econômicas reflete o interesse econômico de uma classe por uma nação. Assim, por exemplo, o conceito do Produto Interno Bruto (PIB) presume que todos são igualmente capazes de produzir e que todos recebem pelo trabalho e não algo como renda pessoal.

Porém, os economistas clássicos dividiram a economia entre as economias reais que se tem hoje: a economia de produção e de consumo e o setor rotier, RAMTA, FIRE (em inglês, Finança, Seguros e Especulação Imobiliária, em contraposição aos setores produtivos da economia). Então, os economistas clássicos dividiriam o índice nacional do PIB e produtos em produção e overheads (demanda). Mas, na verdade, o PIB é composto por rendimentos resultantes do trabalho. É como se Wall Street, os financistas e os locatarios ganhassem seu dinheiro por oferecer um serviço: emprestar dinheiro, financiar e alugar imóveis. No entanto, se levarmos em conta os 200 anos de economia clássica, veremos que juros e aluguel são demandas e não produtos. Daí a confusão entre investimento e produção.

Nesse contexto, as teorias de Benjamin Litworth, foram linguisticamente importantes. Ele dizia que as pessoas são moldadas pela linguagem que usam. Se a linguagem tem um conceito que prevê que todos são produtivos, isso significa que ninguém vai ganhar um “almoço grátis”. A Escola de Chicago diz que não existe “almoço grátis”. No entanto, a maioria das economias hoje visa a conseguir um “almoço de graça”. Essa é a tragédia da maioria das economias atuais.

Cada vez mais atividades financeiras estão voltadas para relacionar crédito e dívida para recursos de produção, para tornar rendimento em juros, aluguel em juros e o rendimento das pessoas em juros. É extrativo, não é produtivo. Então o conceito entre extração e produção é um exemplo de como palavras são importantes para moldar sua visão de mundo.

Para onde os conselhos de desenvolvimento deveriam se voltar?

MH: Eu acho que agora o foco deveria ser os países que compõem o BRIC porque eles fazem parte de uma classe diferente. O resto do mundo, especialmente os EUA e também a Inglaterra e a Europa, querem criar créditos livres para estabelecer uma relação entre o crédito e todos os seus recursos. Querem fazer isso com florestas, minas, e indústria. Assim, o BRIC está em uma posição que precisa de alternativa para o alinhamento entre Europa e a América do Norte

Em outra palavras, EUA e Europa estão prejudicados por juros. O mercado imobiliário, especialmente, está em crise. Os países do BRIC são os únicos que ainda não foram atingidos pela crise. Então algumas pessoas dizem: olhe, ainda há espaço para extrair mais dinheiro deles.

O Brasil ficará muito mais forte se trabalhar com a Rússia, China e Índia na construção de uma alternativa para o Banco Mundial e para o FMI. É preciso criar sua própria estratégia de desenvolvimento para ficar livre da estratégia neoliberal que falhou. Juntos, vocês podem criar uma alternativa e preservar suas riquezas em vez de deixar que seja explorada pelo Norte.

Como os Estados Unidos se posicionam frente a este movimento?

MH: Os EUA farão tudo que puderem para se opor a esta independência. Em 1962, conversei com o presidente Kubitschek depois que ele deixou a presidência. Ele foi à Nova York e explicou que havia sido tirado do poder pelos Estados Unidos. Os EUA não vão deixar nenhum país tomar conta de seus próprios recursos, assim como não deixaram nenhum país desenvolver a habilidade de se auto-sustentar. Por isso o Brasil deve ser completamente independente. Vimos o que os EUA fizeram no Irã. Quando o país quis gerir o próprio petróleo, os Estados Unidos puseram o xá no poder, apoiando o mais reacionário movimento islämico.

O mesmo se passou no Afeganistão: quando eles tentaram secularizar e dar poder às mulheres, os americanos criaram a Al-Qaeda e financiaram a organização e o islã fundamentalista durante a luta. Os EUA vão fazer tudo que puderem para combater o Brasil, assim como a Europa, porque eles querem a riqueza do país para eles.

E se o Brasil quiser ser independente, eles entenderão isso como um ataque! Se os países dizem que querem ser livres, eles dizem que isto é escravidão para uma ideia não-americana. Por isso é preciso se livrar dos ideais americanos de liberdade, porque o que eles afirmam ser liberdade, outros países chamam de sofrimento! O que eles estão fazendo é retroceder a economia e a sociedade para um padrão cultural que restabeleça tudo que o século XIX pensou ter se livrado.

Antes, a dominação de um país pelo outro era feita militarmente, hoje acontece pela economia. A conquista financeira é bem parecida com a militar: visa a tomar o território de outro país, neste caso criando uma dívida e fazendo com que ele pague juros. O controle da indústria de um país é o controle da oferta americana. Não por meio do pagamento de tributos, mas pelo pagamento de juros e dividendos em aluguel. A justificativa para isso? É assim que o mundo funciona. Acontece que o mundo não funciona assim e cabe ao Brasil e aos demais países do BRIC criarem uma alternativa e dizer: temos uma ideia diferente de como o mundo deveria funcionar. Não precisa ser dessa forma.

Como o Brasil pode ter maior participação nas decisões econômicas globais?

[bMH: Agindo em defesa de seus interesses. Você não precisa que outras pessoas aprovem o que está fazendo. Esta é a única maneira de se ter influência. O desafio é seguir seu próprio caminho e não tentar ser popular com os americanos, com o Banco Mundial ou com o FMI, mas dizer: nós temos recursos que podem tornar todos os brasileiros ricos, e vamos desenvolver pesquisas para os brasileiros, não para os banqueiros e investidores americanos ou europeus. Vamos trabalhar com outros paises para criar o tipo de mundo que os livros de economia dizem ser a favor: investimento no aumento do padrão de vida. Faremos isso do nosso modo.

Notem que os conselhos dados pelos EUA para os outros países não equivalem ao método adotado por eles para enriquecer. Os Estados Unidos prosperaram no século XIX através de terror protecionista, do investimento do governo em infraestrutura. Eles ficaram ricos e se tornaram a indústria dominante no mundo através da não-privatização de seus recursos, mas investindo em estrutura pública para diminuir os custos quando se trata de fazer negócios.

O Brasil deveria dizer que seu objetivo é diminuir os custos de fazer negócios para se livrar de despesas desnecessárias. E despesas desnecessárias são o que os economistas chamam de juros imobiliários e overheads. Os brasileiros podem abrir seu próprio caminho assim. Se um investidor estrangeiro decidir investir no Brasil, ele vai estabelecer um subsidiário financeiro, fará um empréstimo para si próprio, grande o suficiente para absorver todos os lucros e juros, e depois vai dizer que não tem nenhum lucro, então não tem de pagar nenhum tributo fiscal ao Brasil.

O país deveria tirar os juros de adaptabilidade, trocar as taxas de trabalho e de indústria por outras sobre uso da terra e pesquisa. O Brasil deveria ter taxas de pesquisa, como foi discutido na Austrália recentemente e como se pensou em fazer na Rússia no fim dos anos 90. As taxas de pesquisa são uma forma de manter o excedente de produção econômica do Brasil, em lugar da lei atual defendida pelos EUA e pelos liberais que determina que se dê permissão para as companhias privadas explorarem as suas riquezas. O Brasil está dando isso para os investidores estrangeiros, em vez de trazer investimentos para seu próprio país.

Neste contexto, o que representa a expressão Governança Global?

MH: A palavra governo vem do verbo impulsionar. Quer dizer, como a economia mundial vai ser impulsionada. Obviamente, tem sido impulsionada em duas direções diferentes. Os chineses têm um provérbio: quem tenta tomar dois caminhos de uma vez só vai ter um quadril quebrado. É preciso escolher qual rumo tomar e ter coragem de seguir seu caminho de desenvolvimento.

O que o Brasil pode aprender com isso?

Pode aprender como os EUA ficaram ricos no século XIX, depois da Guerra Civil e não como eles estão dizendo que vocês devem fazer agora. Estudando como a Inglaterra se tornou a sede da Revolução Industrial nos séculos XVII e XVIII, através do mercantilismo, do protecionismo e por se opor aos juros financeiros e imobiliários, se livrando dos vestigios do feudalismo. Assim como a batalha das economias clássicas na Europa de 800 anos, combatendo a conquista de suas terras por exércitos estrangeiros, por bancos estrangeiros cobrando juros!

Então o Brasil tem que se livrar do colonialismo. Um dos problemas foi o latifúndio e o problema de divisão de terras provocado por ele. Outro foi o fato de o Banco Mundial ter incentivado o Brasil a se tornar exportador, em vez de alimentar algumas pessoas. Assim como a Rússia, a China e a Índia estão se voltando mais para alimentar a própria população, o país deveria usar sua terra para plantar grãos e alimentar sua população em vez de importar os alimentos.

Para seguir seu próprio caminho você deve ser economicamente independente. Isso foi o que os EUA fizeram e pode-se dizer que os EUA são o único país no mundo que de fato defendeu seus interesses econômicos. Não há nada de errado nisso, há ônus e bonus, mas o que é bizarro é que os outros países não tenham tentando defender seus próprios interesses. Se isso ocorresse, haveria outros países em posição de atuar como iguais e o Brasil teria uma economia justa, que cresceria bem mais rápido.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009


O Brasil de LULA



O lider


Os seguidores do lider

Equador e Bolívia são casos de sucesso em meio à crise global



Adivinhem qual país das Américas deve atingir o crescimento econômico mais rápido nesse ano? A Bolívia. O primeiro presidente indígena do país, Evo Morales, foi eleito em 2005 e assumiu o cargo em janeiro de 2006. Bolívia, o país mais pobre da América do Sul, seguiu os acordos com o FMI [Fundo Monetário Internacional] por 20 anos consecutivos e sua renda per-capita ao final desde período era mais baixa do que 27 anos antes. E o Equador tem atingido saudáveis 4,5% de crescimento durante os dois primeiros anos da presidência de Correa. O artigo é de Mark Weisbrot, do The Guardian.


Mark Weisbrot - The Guardian


Texto em português publicado no Correio Internacional


De acordo com a sabedoria convencional transmitida diariamente na imprensa econômica, os países em desenvolvimento deveriam se desdobrar para agradar as corporações multinacionais, seguir a política macroeconômica neoliberal e fazer o máximo para atingir um grau de investimento elevado e, assim, atrair capital estrangeiro.


Adivinhem qual país das Américas deve atingir o crescimento econômico mais rápido nesse ano? A Bolívia. O primeiro presidente indígena do país, Evo Morales, foi eleito em 2005 e assumiu o cargo em janeiro de 2006. Bolívia, o país mais pobre da América do Sul, seguiu os acordos com o FMI [Fundo Monetário Internacional] por 20 anos consecutivos e sua renda per-capita ao final desde período era mais baixa do que 27 anos antes.


Evo descartou o FMI apenas três meses depois de assumir a presidência e então nacionalizou a indústria de hidrocarbonetos (especialmente gás natural). Não é preciso dizer que isso não agradou a comunidade corporativa internacional. Também foi mal vista a decisão do país de se retirar do painel de arbitragem internacional do Banco Mundial em maio de 2007, cujas decisões tinham tendência a favorecer as corporações internacionais em detrimento dos governos.


A nacionalização e os crescentes lucros advindos dos royalties dos hidrocarbonetos, no entanto, têm rendido ao governo boliviano bilhões de dólares em receita adicional (o PIB total da Bolívia é de apenas 16,6 bilhões de dólares, para uma população de 10 milhões de habitantes). Essas rendas têm sido úteis para a promoção do desenvolvimento pelo governo, e especialmente para manter o crescimento durante a crise. O investimento público cresceu de 6,3% do PIB em 2005 para 10,5% em 2009.


O crescimento da Bolívia em meio à crise mundial é ainda mais notável, já que o país foi atingido em cheio pela queda de seus preços dos produtos de exportação mais importantes – gás natural e minerais – e também por uma perda de espaço no mercado estadunidense. A administração Bush cortou as preferências comerciais da Bolívia, que eram concedidas dentro do Pacto Andino de Promoção do Comércio e Erradicação das Drogas [ATPDA, na sigla em inglês], supostamente para punir a Bolívia por sua insuficiente cooperação na “guerra contra as drogas”.


Na realidade, foi muito mais complicado: a Bolívia expulsou o embaixador estadunidense por causa de evidências do apoio dado pelo governo estadunidense à oposição ao governo de Morales; a revogação do ATPDA aconteceu logo em seguida. De qualquer maneira, a administração Obama ainda não mudou com relação à política da administração Bush para a Bolívia. Mas a Bolívia já provou que pode se virar muito bem sem a cooperação de Washington.


O presidente de esquerda do Equador, Rafael Correa, é um economista que, muito antes de ser eleito em dezembro de 2006, entendeu e escreveu a respeito das limitações do dogma econômico neoliberal. Ele tomou posse em 2007 e estabeleceu um tribunal internacional para examinar a legitimidade da dívida do país. Em novembro de 2008 a comissão constatou que parte da dívida não foi legalmente contratada, e em dezembro Correa anunciou que o governo não pagaria cerca de 3,2 bilhões de dólares da sua dívida internacional.


Ele foi tiranizado na imprensa econômica, mas a operação foi bem sucedida. O Equador cancelou um terço da sua dívida externa declarando moratória e reembolsando os credores a uma taxa de 35 centavos por dólar. A avaliação para o crédito internacional do país continua baixa, mas não mais do que antes da eleição de Correa, e até subiu um pouco depois que a operação foi completada.


O governo de Correa também causou a fúria dos investidores estrangeiros ao renegociar seus acordos com empresas estrangeiras de petróleo para captar uma parte maior dos lucros com a alta dos preços do petróleo. E Correa resistiu à pressão feita pela petrolífera Chevron e seus poderosos aliados em Washington para retirar seu apoio a um processo contra a empresa por supostamente poluir águas subterrâneas, com danos que poderiam exceder 27 bilhões de dólares.


Como o Equador está se saindo? O crescimento tem atingido saudáveis 4,5% durante os dois primeiros anos da presidência de Correa. E o governo tem garantido a redistribuição da renda: gastos com saúde em relação ao PIB dobraram e gastos sociais em geral têm sido expandidos consideravelmente de 4,5% para 8,3% do PIB em dois anos. Isso inclui a duplicação do programa de transferência de renda às famílias pobres, um aumento de 474 milhões de dólares em despesas de habitação, e outros programas para famílias de baixa renda.


O Equador foi atingido fortemente por uma queda de 77% no preço das suas exportações de petróleo de junho de 2008 até fevereiro de 2009, assim como pelo declínio das remessas de capital provenientes do exterior. Apesar disso, o país superou as adversidades muito bem. Outras políticas heterodoxas, juntamente com a moratória da dívida externa, têm ajudado o Equador a estimular sua economia sem esgotar suas reservas.


A moeda do Equador é o dólar estadunidense, o que descarta a possibilidade de políticas cambiais e monetárias para esforços contra-cíclicos numa recessão – uma deficiência relevante. Em vez disso, o Equador foi capaz de fazer acordos com a China para um pagamento adiantado de 1 bilhão de dólares por petróleo e mais 1 bilhão de empréstimo.


O governo também começou a exigir dos bancos equatorianos que repatriassem algumas de suas reservas mantidas no exterior, esperando trazer de volta 1,2 bilhões e tem começado a repatriar 2,5 bilhões das reservas estrangeiras do banco central para financiar outro grande pacote de estímulo econômico.


O crescimento do Equador provavelmente será de 1% esse ano, o que é muito bom em relação à maior parte de seu hemisfério. O México, por exemplo, no outro lado do espectro, tem projetado um declínio de 7,5% no seu PIB em 2009.


A maior parte dos relatórios e até análises quase-acadêmicas da Bolívia e do Equador dizem que eles são vítimas de governos populistas, socialistas e “anti-americanos” – alinhados com a Venezuela de Hugo Chávez e Cuba, é claro – e estão no caminho da ruína. É claro que ambos os países ainda têm muitos desafios pela frente, dos quais o mais importante será a implementação de estratégias econômicas que diversifiquem e desenvolvam suas economias no longo prazo. Mas eles começaram bem, dedicando à ordem econômica e política externa convencionais – na Europa e nos Estados Unidos – o respeito que ela merece.


Tradução: Raquel Tebaldi/Correio Internacional


O Brazil de FHC


O lider


O... melhor nem comentar.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Dá série: Eu já sabia




Nunca engoli essa história de Fernando Henrique exilado. Não me passava pela cabeça que um filho de um graduado militar do exército (General) viesse a ser exilado. Exilado para o Chile, onde outra ditadura militar governava? Porque não teve o destino dos outros exilados, tal como: Cuba, União Soviética etc? Isto sempre me cheirou mal. Hoje tenho absoluta convicção que ele sempre esteve a serviço de interesses outros que não os do Brasil. Vou providenciar a compra imediata desse livro, com certeza.




É SEMPRE BOM LEMBRAR O QUE FEZ O FHC NA PRESIDÊNCIA!!!



FHC enterrou o sonho de todo brasileiro da minha geração. O "maior estadista do mundo" foi apenas, e tão somente, leiloeiro do Brasil no pós guerra fria, o cara que entregou o controle de nossa economia ao Império Anglo-saxão.



DEVEMOS LER ESTE LIVRO!!!




OBRA DE UMA PESQUISADORA INGLESA



Abaixo, informe do jornal Correio do Brasil sobre um livro recém editado por uma pesquisadora inglesa que abre algumas caixas pretas das ligações entre o alto tucanato e a CIA.



LIVRO BOMBA ACUSA FHC DE RECEBER MILHÕES DE DÓLARES DA CIA!



Mal chegou às livrarias e Quem pagou a conta? A CIA na guerra fria da culturajá se transformou na gazua que os adversários dos tucanos e neoliberais de todos os matizes mais desejavam. Em mensagens distribuída, neste domingo, pela internet, já é possível perceber o ambiente de enfrentamento que precede as eleições deste ano. A obra da pesquisadora inglesa Frances Stonor Saunders (editada no Brasil pela Record, tradução de Vera Ribeiro), ao mesmo tempo em que pergunta, responde: Quem "pagava a conta" era a CIA, a mesma fonte que financiou os US$ 145 mil iniciais para a tentativa de dominação cultural e ideológica do Brasil, assim como os milhões de dólares que os procederam, todos entregues pela Fundação Ford a Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente do país no período de 1994 a 2002.



O comentário sobre o livro consta na coluna do jornalista Sebastião Nery, na edição deste sábado do diário carioca Tribuna da Imprensa.



"Não dá para resumir em uma coluna de jornal um livro que é um terremoto. São 550 páginas documentadas, minuciosa e magistralmente escritas: "Consistente e fascinante" (The Washington Post). "Um livro que é uma martelada, e que estabelece em definitivo a verdade sobre as atividades da CIA" (Spectator). "Uma história crucial sobre as energias comprometedoras e sobre a manipulação de toda uma era muito recente "(The Times).



DINHEIRO DA CIA PARA FHC



"Numa noite de inverno do ano de 1969, nos escritórios da Fundação Ford, no Rio, Fernando Henrique teve uma conversa com Peter Bell, o representante da Fundação Ford no Brasil. Peter Bell se entusiasma e lhe oferece uma ajuda financeira de 145 mil dólares. Nasce o Cebrap". Esta história, assim aparentemente inocente, era a ponta de um iceberg. Está contada na página 154 do livro "Fernando Henrique Cardoso, o Brasil do possível", da jornalista francesa Brigitte Hersant Leoni (Editora Nova Fronteira, Rio, 1997, tradução de Dora Rocha). O "inverno do ano de 1969" era fevereiro de 69.



FUNDAÇÃO FORD



Há menos de 60 dias, em 13 de dezembro, a ditadura havia lançado o AI-5 e jogado o País no máximo do terror do golpe de 64, desde o início financiado, comandado e sustentado pelos Estados Unidos. Centenas de novas cassações e suspensões de direitos políticos estavam sendo assinadas. As prisões, lotadas. Até Juscelino e Lacerda tinham sido presos. E Fernando Henrique recebia da poderosa e notória Fundação Ford uma primeira parcela de 145 mil dólares para fundar o Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento). O total do financiamento nunca foi revelado. Na Universidade de São Paulo, sabia-se e se dizia que o compromisso final dos americanos era de 800 mil a um milhão de dólares.



AGENTE DA CIA



Os americanos não estavam jogando dinheiro pela janela. Fernando Henrique já tinha serviços prestados. Eles sabiam em quem estavam aplicando sua grana. Com o economista chileno Faletto, Fernando Henrique havia acabado de lançar o livro "Dependência e desenvolvimento na América Latina", em que os dois defendiam a tese de que países em desenvolvimento ou mais atrasados poderiam desenvolver-se mantendo-se dependentes de outros países mais ricos. Como os Estados Unidos. Montado na cobertura e no dinheiro dos gringos, Fernando Henrique logo se tornou uma "personalidade internacional" e passou a dar "aulas" e fazer "conferências" em universidades norte-americanas e européias. Era "um homem da Fundação Ford". E o que era a Fundação Ford? Uma agente da CIA, um dos braços da CIA, o serviço secreto dos EUA.



MILHÕES DE DÓLARES



1 - "A Fundação Farfield era uma fundação da CIA... As fundações autênticas, como a Ford, a Rockfeller, a Carnegie, eram consideradas o tipo melhor e mais plausível de disfarce para os financiamentos... permitiu que a CIA financiasse um leque aparentemente ilimitado de programas secretos de ação que afetavam grupos de jovens, sindicatos de trabalhadores, universidades, editoras e outras instituições privadas" (pág. 153).



2 - "O uso de fundações filantrópicas era a maneira mais conveniente de transferir grandes somas para projetos da CIA, sem alertar para sua origem. Em meados da década de 50, a intromissão no campo das fundações foi maciça..." (pág. 152). "A CIA e a Fundação Ford, entre outras agências, haviam montado e financiado um aparelho de intelectuais escolhidos por sua postura correta na guerra fria" (pág. 443).



3 - "A liberdade cultural não foi barata. A CIA bombeou dezenas de milhões de dólares... Ela funcionava, na verdade, como o ministério da Cultura dos Estados Unidos... com a organização sistemática de uma rede de grupos ou amigos, que trabalhavam de mãos dadas com a CIA, para proporcionar o financiamento de seus programas secretos" (pág. 147).



FHC FACINHO



4 - "Não conseguíamos gastar tudo. Lembro-me de ter encontrado o tesoureiro. Santo Deus, disse eu, como podemos gastar isso? Não havia limites, ninguém tinha que prestar contas. Era impressionante" (pág. 123).



5 - "Surgiu uma profusão de sucursais, não apenas na Europa (havia escritorios na Alemanha Ocidental, na Grã-Bretanha, na Suécia, na Dinamarca e na Islândia), mas também noutras regiões: no Japão, na Índia, na Argentina, no Chile, na Austrália, no Líbano, no México, no Peru, no Uruguai, na Colômbia, no Paquistão e no Brasil" (pág. 119).



6 - "A ajuda financeira teria de ser complementada por um programa concentrado de guerra cultural, numa das mais ambiciosas operações secretas da guerra fria: conquistar a intelectualidade ocidental para a proposta norte-americana" (pág. 45). Fernando Henrique foi facinho.

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