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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A raposa e as uvas verdes do petróleo

 
No final de semana, multiplicaram-se as matérias sobre as razões de as empresas americanas e inglesas terem fugido do leilão de Libra.  Nem uma palavra para falar das verdadeiras razões

Por Fernando Britto, do Tijolaço.

A incapacidade de raciocinar a profundidades maiores que cinco centímetros parece ter se tornado uma praga no jornalismo nacional. No final de semana, multiplicaram-se as matérias sobre as razões de as empresas americanas e inglesas terem fugido do leilão de Libra: modelo de partilha é desconhecido, há muita interferência estatal, a presença da Petrobras como operadora incomoda e por aí vai.

Ah, e ainda tem a brilhante conclusão do Estadão que, através de uma pesquisa nos sites das petroleiras chegou à conclusão de que elas não se interessam pelo pré-sal brasileiro – imagina se iam publicar ali os lugares onde tem olho grande. Publicam onde estão, porque todo mundo sabe que estão, mas não onde querem estar, óbvio.

E como pode ser desconhecido o modelo de partilha se ele é praticado por mais da metade dos maiores produtores mundiais de petróleo? Muito menos é problema a operação do campo pela Petrobras, porque todas elas já compraram interesses em campos operados pela brasileira. O chororô que “vazam” para os jornalistas é o gemido triste da raposa dizendo que “bem, aquelas uvas não prestavam mesmo, estavam verdes”.

Nem uma palavra para falar das verdadeiras razões. Que são duas, e se interligam. A primeira e óbvia foi a situação canhestra em que ficou o governo americano – do qual as empresas americanas e inglesas, todos sabem são irmãs siamesas – com a revelação da espionagem sobre a Petrobras. Qualquer investida mais ousada para deter o controle do campo seria vista como resultado de informação privilegiada. E, cá pra nós, seria mesmo.

Segundo, impossibilitadas politicamente de forçar a Petrobras a um acordo, sabem que teriam de subir seus lances, porque a brasileira está articulando uma composição com os chineses. E lances altos, num leilão de partilha, quer dizer uma parte maior para o governo brasileiro. No leilão de Libra o esquema de participação fica como exposto no quadro ao lado, com pequenas variações em função do volume produzido e do preço internacional do petróleo.

Lembre que como estamos falando em um volume recuperável de óleo em torno de 10 bilhões de barris, a 100 dólares cada um, cada um por centro equivale da 10 bilhões de dólares, ao longo de 35 anos.
 


E estas percentagens estão longe de serem as mais altas exigidas no mundo: em alguns países, como a Indonésia, elas chegam a passar de 90%, pela exigência de venda a preços mais baixos para o mercado interno. Nem por isso as grandes fogem de lá.

Nossa imprensa, porém, não mostra isso a seus leitores.

Está mais  preocupada com as pobrezinhas das multinacionais do petróleo, tão generosamente dispostas a nos ajudar a tirar o óleo de lá das profundezas, está perdendo com estas “regras absurdas”  que fazem a receita ficar com o país. Alguns agem por servilismo, mesmo. Mas a maioria é por incapacidade de pensar mesmo, que os faz repetir como papagaios os que as vedetes da imprensa dizem.
 
Por sorte, há exceções e vale a pena registrar uma, de Jânio de Freitas, na Folha de ontem: “Vista pela ótica da história das relações internacionais, as americanas Exxon (ainda Esso, para nós) e Chevron e as britânicas BP e BG fizeram uma gentileza ao Brasil, com sua desistência de participar dos leilões do pré-sal. Preferem investir para a desnacionalização do petróleo mexicano.
 
As três primeiras são o que se pode definir como empresas geradoras de problemas, onde quer que estejam. A Exxon ou Esso ou Standard Oil tem um histórico de presença no centro de conflitos armados, inclusive entre países, sem equivalente. E seus interesses sempre se tornaram interesses do governo americano, para todo e qualquer efeito. Passem bem todas quatro, o que não acontecerá ao México.”
 

domingo, 11 de setembro de 2011

"EUA têm mais inimigos hoje do que tinham em 2001"

Em entrevista à Carta Maior, François Bernard Huyghe, professor de Ciências Políticas e pesquisador no Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (IRIS), analisa os dez anos transcorridos desde os atentados de 11 de setembro de 2001. Autor de vários ensaios sobre o terrorismo, o especialista francês destaca a relação entre mídia e terror, a permanência da ideologia conservadora nos EUA e o erro estratégico que Washington cometeu ao responder ao terror com um terrorismo de Estado.
Eduardo Febbro - Correspondente da Carta Maior em Paris
Uma década depois das imagens das Torres Gêmeas de Nova York caindo como castelos de areia as análises dos especialistas são contrastadas: Bin Laden não ganhou, mas tampouco os Estados Unidos. Em meio a isso, eclodiram as revoluções árabes e estas, em um mesmo movimento, desacreditaram tanto as teses do radicalismo islâmico como a vergonhosa posição dos países ocidentais que apoiaram, em nome de seus interesses, os piores déspotas da história. Professor de Ciências Políticas, pesquisador no Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (IRIS), autor de vários ensaios brilhantes sobre o terrorismo, François Bernard Huyghe analisa nesta entrevista os dez anos transcorridos.
Em seu último livro publicado na França, “Terrorismes, violences et propagande”, François Bernard Huyghe faz uma análise histórica do terrorismo. O autor destaca nesta entrevista o papel dos meios de comunicação, a permanência da ideologia conservadora norteamericana e a forma pela qual, por meio da “guerra ao terror”, a primeira potência mundial recorreu ao terrorismo de Estado ao melhor estilo de Pinochet, no Chile.
Dez anos depois do 11 de setembro fica no ar algo como um balanço nefasto, tanto para os seguidores da Al-Qaeda quanto para os Estados Unidos. As revoltas árabes que estouraram em 2011 são uma poderosa negação das teses da Al Qaeda e, ao mesmo tempo, desmascaram o cinismo ocidental.
A primavera árabe se inscreve em uma lógica oposta às ideias da rede de Bin Laden. Para a Al Qaeda, os muçulmanos tinham só duas opções: submeter-se ao Ocidente ou a ditaduras pró-ocidentais como a de Mubarak no Egito; ou se comprometer com a Jihad, a guerra santa, e combater. Mas nos damos conta de que existia ao menos uma terceira alternativa, a saber, a das revoluções democráticas. Hoje estamos então em uma nova fase na qual a Al Qaeda e a nebulosa jihadista esperam aproveitar-se da primavera árabe segundo um esquema clássico. Contam com que a revolução popular e pacífica gere decepções, que haja desordens e tentativas reacionárias. A partir daí, os elementos mais duros jogarão a carta da radicalização da situação com a ideia de passar daí para a luta armada. Esse é o esquema que se depreende das ideias de Al-Zawahiri.
Por outro lado, Hosni Mubarak no Egito e Ben Ali na Tunísia agitaram o fantasma da Al Qaeda e com isso reprimiram a população ao mesmo tempo em que diziam ao Ocidente: “estamos do seu lado, lutamos contra os islamistas”. Chegamos assim ao assombroso paradoxo de ver os EUA felicitarem-se ante a maravilhosa revolução democrática no Egito quando, na verdade, até apenas alguns meses atrás Washington despejava bilhões de dólares no Egito de Mubarak.
Outro dos grandes paradoxos do 11 de setembro reside em que os atentados serviram mais aos interesses da ideologia neoconservadora norteamericana do que aos interesses do mundo árabe.
Para os neoconservadores dos EUA, os atentados do 11 de setembro foram uma surpresa divina. Os atentados deram aos conservadores o argumento ideológico para justificar os planos que já tinham prontos, como a invasão do Iraque por exemplo. Esse argumento consistia em dizer que os EUA não eram um tigre de papel, que podiam utilizar a força e inclusive impor a democracia pela força no mundo árabe. Eles aproveitaram a ocasião para vivificar o país preconizando valores militares, de disciplina, de ofensiva.
Os neoconservadores se apegaram à locomotiva do 11 de setembro e conseguiram com isso uma influência ideológica incrível. Aproveitaram-se da situação, da personalidade do presidente Bush. Para eles, o 11 de setembro foi um pão abençoado. E creio que, ainda hoje, não estão fora do jogo. Podem voltar nas próximas eleições presidenciais e, contrariamente ao que pensam muitos analistas, os neoconservadores não estão descontentes com Obama. Eles aprovaram a decisão de enviar 20 mil soldados adicionais ao Afeganistão. Para a Al Qaeda, o fato de a primeira potência do mundo, os EUA, ter declarado guerra e apontado a rede como seu principal inimigo foi um tipo de felicidade paradoxal.
De alguma maneira continuamos mergulhados nas duas ideologias, a que Bush colocou em prática como resposta a Bin Laden.
Sim, essa corrente ideológica persiste. Por exemplo, um mês depois do assassinato de Bin Laden, Barack Obama firmou uma enésima doutrina contra o terrorismo na qual o enunciado principal segue sendo “estamos em guerra contra a Al Qaeda”. A obsessão de um segundo 11 de setembro, a prioridade que se deu à ação para eliminar os terroristas e suas redes assim como os regimes que os apoiam não desapareceu. O discurso de Obama, obviamente, é diferente. O presidente diz que é preciso agir respeitando certos valores e Obama não adotou um regime jurídico excepcional como o Patriot Act.
O terrorismo ao estilo Bin Laden também inaugurou uma indústria mundial dos meios de comunicação, uma espécie de frenesi comercial de comentaristas, analistas e canais de televisão que se ocuparam de propagar a legitimidade da chamada “guerra contra o terror”.
Sim, é certo, mas essa é também uma das regras do terrorismo: o terrorismo é também um meio de comunicação. Se os meios de comunicação não existissem, se os meios não afetassem o imaginário das pessoas, o terrorismo não existiria. O atentado contra as torres gêmeas foi o acontecimento mais filmado da história da humanidade. O terrorismo vive graças ao impacto que tem nos meios de comunicação. Antes, nos anos 70, os terroristas eram obrigados a ser apoiar nos meios de comunicação inimigos, nos meios do capitalismo digamos, para que suas ações fossem difundidas. O que mudou hoje é a aparição da internet. Hoje há redes sociais islâmicas, portais islâmicos, revistas virtuais islâmicas e produtoras islâmicas. Os terroristas têm também seus próprios meios de comunicação.
De um 11 de setembro a outro, o do golpe de estado de Pinochet no Chile e o dos atentados de 2001, encontramos uma constante: o Estado chileno recuperado por Pinochet levou a cabo no Chile uma repressão semelhante a que Bush implementou em escala mundial na chamada guerra contra o terror. As violações de direitos humanos que vimos no Chile, Argentina, Uruguai e Brasil se reencarnaram mais tarde nas práticas da primeira potência mundial.
É certo que como resposta às guerrilhas houve um terrorismo de Estado na América do Sul. Trata-se de uma lógica clássica na qual grupos minoritários obrigam o inimigo a mostrar seu verdadeiro rosto, desmascarando-o para mostrar que é sanguinário. Quando os Estados se veem confrontados ao terrorismo, aplicam suas próprias leis, adotam medidas, proclamam um estado de exceção e, assim, entram em uma fase repressiva que, às vezes, os leva a eliminar poucos adversários e a ter mais inimigos do que antes.
Os Estados se vêm tentados a recorrer a práticas condenáveis: prisões secretas, torturas, repressão, interrogatórios. Todos os Estados caem na tentação de responder à provocação terrorista com um terrorismo de Estado. É isso o que vemos com a reação dos EUA depois dos atentados de 11 de setembro: imagens de guerra terríveis, a prisão de Guantánamo e todo o dispositivo que foi posto em marcha com o Patriot Act. Com esse esquema, os EUA fizeram mais inimigos do que os que tinham no dia 10 de setembro à tarde. É um erro enorme do ponto de vista estratégico.
Tradução: Katarina Peixoto

terça-feira, 9 de agosto de 2011

A SANGRIA DO IMPÉRIO

Um assalto de 16 trilhões de dólares
 


Escrito por Atilio A. Boron
Quarta, 03 de Agosto de 2011


A atenção da opinião pública internacional está centrada no acordo pírrico firmado entre Barack Obama e o Congresso mediante o qual o presidente se compromete a aplicar um duro programa de ajuste fiscal, baseado no corte de gastos sociais (saúde, educação, alimentação) e infra-estrutura de 2,5 trilhões de dólares, porém, preservando, como exige o Tea Party, o nível atual do gasto militar e sua eventual expansão. Em troca disso, a Casa Branca recebeu a autorização para elevar o endividamento dos Estados Unidos até 16,4 trilhões de dólares, cifra superior em cerca de 2 trilhões ao PIB do país. Com isso se espera – confiando na “magia dos mercados” – superar a crise da dívida pública e reativar a exaurida economia norte-americana. Essa receita já foi implementada a sangue e fogo na América Latino e não funcionou; e tampouco na convulsionada Europa desses dias. Com tal acordo, a única certeza será o agravamento da crise, e, por tabela, a acentuação da belicosidade estadunidense no cenário mundial.
Socialismo para os ricos e mercado para os pobres
O debate sobre o possível calote dos EUA eclipsou por completo um escândalo financeiro de inéditas proporções: em 21 de junho passado, conheceu-se o resultado de uma auditoria integral realizada pelo Escritório Governamental de Prestação de Contas (Government Accountability Office, GAO, na sigla em inglês) no Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, a primeira que se pratica sobre a citada instituição desde que foi criada, em 1913. Os resultados são assustadores: em um prazo de pouco mais de dois anos e meio, entre 1º de dezembro de 2007 e 21 de julho de 2010, o Fed concedeu empréstimos secretos a grandes corporações e empresas do setor financeiro de 16 trilhões de dólares, uma cifra superior ao PIB dos EUA, que em 2010 foi de 14,5 trilhões de dólares, e mais elevada que a soma dos orçamentos do governo federal nos últimos quatro anos.
E não só isso: a auditoria revelou também que 659 bilhões de dólares foram dados a algumas das instituições financeiras beneficiadas arbitrariamente por este programa para que administrassem o multimilionário pacote de salvação dos bancos e corporações, oferecido como mecanismo de ”saída” da nova crise geral do capitalismo. Desse gigantesco total, cerca de 3 trilhões foram destinados a socorrer grandes empresas e entidades financeiras na Europa e na Ásia. O resto foi orientado para o resgate de corporações estadunidenses, encabeçadas pelo Citibank, o Morgan Stanley, Merrill Lynch e o Bank of America, entre as mais importantes.
Tudo isso enquanto a crise aprofundava a níveis desconhecidos a desigualdade econômica dentro da população local, ao passo que afundava crescentes setores sociais na pobreza e vulnerabilidade social. Obviamente, essa informação mereceu apenas um espaço completamente marginal na imprensa financeira, tanto internacional como a norte-americana, ou nos grandes meios de comunicação dos EUA. São notícias que, com lembra Noam Chomsky, não têm por que serem conhecidas pelo grande público.
As assombrosas revelações deste informe deveriam propiciar uma discussão sobre vários temas de grande importância. Primeiro, a extremamente desigual distribuição dos esforços necessários para enfrentar a crise. Até agora, eles foram aportados pelos trabalhadores, enquanto que as grandes fortunas pessoais ou corporativas, assim como os fenomenais rendimentos dos mais ricos, se beneficiaram da redução de impostos e resgates multimilionários dados por George W. Bush e ratificados por Barack Obama no novo acordo.
Em segundo, sobre os inexistentes – ou enormemente débeis e ineficazes – mecanismos de auditoria e controle democrático sobre as políticas e decisões de uma instituição crucial para a economia norte-americana e o bem-estar de sua população como o Fed.
Em terceiro, sobre a duvidosa compatibilidade existente entre uma ordem que se auto-proclama democrática e o estatuto jurídico e institucional do Fed como entidade autônoma que não tem obrigação de prestar contas a nenhuma instância de controle democrático. Em relação a este último ponto, o Fed manifestou sua predisposição de “considerar muito seriamente” as recomendações do GAO, mas, ao não se tratar de uma instituição governamental, não pode ser forçado a aceitá-las. Em que pese seu caráter privado, o presidente do Fed e os sete membros de sua diretoria são designados pelo presidente dos Estados Unidos e sujeitos a posterior confirmação pelo Senado.
Porém, contrariamente ao que pensa a esmagadora maioria da população estadunidense, o Fed não é uma agência federal de governo, mas uma corporação privada. Em termos políticos, é o partido do capital financeiro. Sua autonomia é tão grande que não seria ilegal nem por um milímetro se suas autoridades decidissem desacatar as recomendações do GAO ou rebelar-se abertamente contra elas.
Não existe, para o Fed, a prestação democrática de contas diante da comunidade e, por ser uma entidade de direito privado, não tem de acatar nem sequer o disposto na Lei de Liberdade de Informação, cuja jurisdição se estende tão somente às instituições públicas. Situação aberrante, folga dizer: uma cifra equivalente ao total da dívida pública estadunidense que colocou o país à beira do calote foi desembolsada em resgates fraudulentos, secretos e muito favoráveis aos destinatários e lesivos ao contribuinte, com cujo dinheiro um banco central “independente” como o Fed financiou toda essa operação. Cabe perguntar: independente de quem?
Conspiração de silêncio
O escândalo revelado pela auditoria não teve quase nenhuma repercussão nos Estados Unidos. O presidente do Fed, Ben Bernanke, se fez de desentendido e expressou que em momentos como o que se temia o calote nacional o importante era resguardar a credibilidade do Fed e do sistema monetário estadunidense.
Apesar de o GAO ser um órgão de apoio aos trabalhos do Congresso, as reações de representantes e senadores à divulgação foram do mais absoluto e imoral silêncio. Até onde podemos destacar, uma das únicas vozes dissonantes foi a do senador Bernie Sanders, do estado de Vermont. Sanders é uma rara avis, não só no Congresso, como na política estadunidense: é um político que se declara socialista e que foi eleito como candidato independente em aliança com o Partido Democrata, única maneira de superar o asfixiante bipartidarismo imperante nos Estados Unidos. Eleito senador em 2007 com 65% dos votos, uma brisa eleitoral raríssima neste país, foi apoiado por diversos movimentos sociais e pequenas organizações políticas de Vermont. Sanders reagiu duramente quando tomou conhecimento do informe. Transcrevemos a continuação de alguns dos parágrafos mais destacados da declaração emitida pela sua assessoria de imprensa, que praticamente não foi levantada por nenhuma mídia dos EUA, e que diz o seguinte:
21 de julho, 2011.
A primeira auditoria integral do Federal Reserve (Fed) descobriu novos e assombrosos detalhes sobre como os EUA disponibilizaram a quantia de 16 trilhões de dólares em empréstimos secretos para resgatar bancos e empresas estadunidenses e estrangeiras durante a pior crise econômica desde a grande depressão. Uma emenda proposta pelo senador Bernie Sanders, a lei de reforma de Wall Street – aprovada há exatamente um ano nesta semana –, havia ordenado ao Escritório Governamental de Prestação de Contas (Government Accountability Office) levar a acabo esse exame. ‘Como resultado de tal auditoria, agora sabemos que o Fed aportou mais de 16 trilhões de dólares em assistência financeira total a algumas das maiores corporações e instituições financeiras dos Estados Unidos e do resto do mundo’, disse Sanders. ‘Isso é um claríssimo caso de socialismo para os ricos e desatado individualismo do tipo salve-se quem puder para os outros’”.
Esclarecimento: o GAO é uma agência independente e não partidária que trabalha para o Congresso dos Estados Unidos. Sua missão é pesquisar a forma pela qual o governo federal utiliza os dólares de seus contribuintes. O chefe do GAO é o Procurador Geral dos Estados Unidos e é designado por um período de 15 anos pelo presidente a partir de uma lista de candidatos elaborada pelo Congresso. Seu chefe atual é Gene L. Dodaro, que havia sido nomeado pelo presidente Barack Obama em setembro de 2010 e confirmado no cargo em dezembro do mesmo ano pelo Senado.
Entre outras coisas, a auditoria estabeleceu que o Federal Reserve “carece de um sistema suficientemente abrangente para tratar de casos de conflitos de interesses, apesar de existirem sérios riscos de abuso nesse sentido. De fato, segundo essa auditoria, o Fed emitiu dispensas de conflito de interesses a favor dos funcionários e contratistas privados a fim de que pudessem manter seus investimentos nas mesmas corporações e instituições financeiras que recebiam empréstimos de emergência”.
“Por exemplo, o CEO do JP Morgan Chase cumpria funções na diretoria do Fed em Nova York, enquanto seu banco recebia mais de 390 bilhões de dólares em ajuda financeira por parte do Federal Reserve. Além do mais, o JP Morgan Chase atuava como um dos bancos de compensação para os programas de empréstimos de emergência do Fed”.
“Outro achado perturbador do GAO é o que refere que no dia 19 de setembro de 2008 o senhor William Dudley, presidente do Fed de Nova York, recebeu uma dispensa para que pudesse conservar seus investimentos na AIG (American International Group, líder mundial no campo dos seguros) e na GE (General Eletric), enquanto essas companhias recebiam fundos de resgate. Uma razão pela qual o Fed não obrigou Dudley a vender suas ações, segundo a auditoria, foi porque tal ação poderia ter criado a aparência de um conflito de interesses”.
“A investigação também revelou que o Fed terceirizava a contratistas privados, como o JP Morgan Chase, Morgan Stanley e Wells Fargo, a maioria de seus programas de empréstimos de emergência. Essas mesmas firmas também recebiam bilhões de dólares do Fed por empréstimos concedidos a taxas de juros próximas de zero”.
Os principais beneficiários desses empréstimos – concedidos entre 1º de dezembro de 2007 e 21 de julho de 2010 – são os seguintes:
Citigroup: $2.5 trilhões
Morgan Stanley: $2.04 trilhões
Merrill Lynch: $1.949 trilhões
Bank of America: $1.344 trilhões
Barclays PLC (Reino Unido): $868 bilhões
Bear Sterns: $853 bilhões
Goldman Sachs: $814 bilhões
Royal Bank of Scotland (Reino Unido): $541 bilhões
JP Morgan Chase: $391 bilhões
Deutsche Bank (Alemanha): $354 bilhões
UBS (Suíça): $287 bilhões
Credit Suisse (Suíça): $262 bilhões
Lehman Brothers: $183 bilhões
Bank of Scotland (Reino Unido): $181 bilhões
BNP Paribas (França): $175 bilhões
Wells Fargo & Co. $159 bilhões
Dexia SA (Bélgica) $159 bilhões
Wachovia Corporation $142 bilhões
Dresdner Bank AG (Alemanha) $135 bilhões
Societe Generale SA (França) $124 bilhões
Outros: $2,6 bilhões
Total: 16.115 trilhões de dólares.
Atilio Borón é doutor em Ciência Política pela Harvard University, professor titular de Filosofia Política da Universidade de Buenos Aires e ex-secretário-executivo do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO).
Tradução: Gabriel Brito, jornalista, Correio da Cidadania.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O parto assustador de um novo mundo


Publicado por luisnassif, seg, 08/08/2011 - 09:49

Na Reuters, Petter Apps, Analista de Risco Político, assina uma bela reportagem em que sustenta que aparentemente os Estados-Nação perderam o controle da globalização.

Bate na mesma tecla da Coluna Econômica.

No curto prazo, os políticos se tornam impotentes diante da rápida evolução dos mercados – minando sua autoridade e ampliando a agitação social.

No longo prazo, há o o risco de que o mundo repita os erros dos anos 1930 e recue para o protecionismo e polarização política. É essa a opinião de Celina Realuyo, professora assistente de assuntos de segurança nacional do National Defense University EUA, em Washington DC.

Assim como na opinião pública nacional, houve uma explosão de novos temas na opinião pública mundial e múltiplos centros de interesse, seja na mudança climática, sistema financeiro global, cyber segurança. "Não está claro como o Estado-Nação tradicional poderá avançar em todos esses temas, muito menos o que poderia ser um consenso global", diz ela.

Não apenas o sistema financeiro, como a Internet e até mesmo a questão dos recursos naturais avançaram muito além das formas efetivas de controle estatal.

No caso dos mercados, a tecnologia e a desregulamentação permitem que a informação e os ativos financeiros sejam transferidos em todo o mundo muito mais rapidamente do que antes.

Cria-se um impasse. Nos Estados Unidos e na Europa, crescem os grupos de ultradireita, incluindo o Tea Party, eurocéticos e forças nacionalistas. À esquerda, crescem as pressões para maior controle sobre mercados e os capitais. Desde o ano passado, as desvalorizações cambiais competitivas se tornaram fontes de preocupação, com cada país querendo aumentar suas exportações.

No ciberespaço, há preocupações de ataques a computadores poderosos podendo eventualmente desencadear uma guerra.

Controles impossíveis

O analista diz ser impossível pensar em controles. Muitas áreas da economia global se tornaram efetivamente "espaço sem governo" na qual saltaram entusiasticamente uma série de atores – de criminosos a empresas internacionais.

Dinheiro é movimentado, até fábricas são transportadas de um país a outro, de jurisdição para jurisdição, atrás de baixos salários, para evitar tributação.

Alguns grupos propõem novos controles, diz a professora. Mas muitas das crises atuais do sistema são o resultado de tentativas de controle.

Outra fonte ouvida, Charles Robertson, economista-chefe do banco britânico russo Renaissance Capital, sustenta que sem controle de capitais em massa, os países não conseguirão segurar a crise. E o conselho vale não apenas para os países em crise como para as novas potências emergentes.

Simon Derrick, diretor de câmbio do Banco of New York Mellon afirma que em muitos alugares a atividade econômica foi impulsionada por forças que eram inerentemente não-sustentáveis. Durante muito tempo foram garantidas pelos gastos do governo dos EUA, inclusive com guerras onerosas, sendo financiado por economias emergentes, especialmente a China, graças a um dólar irrealisticamente apreciado.


Para muitos, a única esperança de curto prazo é a China. "O domínio de sua economia pelo Estado criou o maior buffer de curto prazo para a instabilidade no mundo em desenvolvimento mas é, de longe, o mais insustentável e volátil cenário de longo prazo:, escreveu Ian Bremmer, presidente da consultoria de risco político Eurasia Group.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

WikiLeaks: Facebook, a mais apavorante máquina de espionagem já inventada


Assange chama Facebook de ‘máquina de espionagem’

O Globo, Publicada em 03/05/2011 às 14h04m

RIO – Em entrevista ao programa de TV Russia Today, Julian Assange, a face pública do WikiLeaks, classificou o Facebook de “a mais apavorante máquina de espionagem já inventada.”

- (Em sites como o Facebook) nós temos o banco de dados mais abrangente sobre as pessoas, seus relacionamentos, nomes, endereços, localização e as conversas entre elas, seus parentes, tudo à disposição dos serviços de inteligência americanos – afirmou Assange, que aguarda extradição para Suécia. – Quando as pessoas adicionam seus amigos no Facebook, eles estão trabalhando de graça para as agências dos Estados Unidos.

Assange cita ainda Google e Yahoo como exemplos de páginas que ajudam os EUA a espionar os cidadãos. Ele não chegou a dizer que os sites são gerenciados pelo governo – como críticos radicais das redes sociais e afins já disseram -, mas disse que as agências podem pressionar legal e politicamente as empresas de internet.

FIQUE DE OLHO

quarta-feira, 9 de março de 2011

REFLEXÃO PARA NÓS BRASILEIROS


Hoje, 400 norte-americanos têm a mesma quantidade de dinheiro que metade da população dos EUA, somando-se o dinheiro de todos.

Vou repetir. 400 norte-americanos obscenamente ricos, a maior parte dos quais foram beneficiados no ‘resgate’ de 2008, pago aos bancos, com muitos trilhões de dólares dos contribuintes, têm hoje a mesma quantidade de dinheiro, ações e propriedades que tudo que 155 milhões de norte-americanos conseguiram juntar ao longo da vida, tudo somado. Se dissermos que fomos vítimas de um golpe de estado financeiro, não estamos apenas certos, mas, além disso, também sabemos, no fundo do coração, que estamos certos.

Saiba mais aqui.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

“Regimes ditatoriais são fundamentais para o equilíbrio dos EUA”


por Luciana Lima, repórter da Agência Brasil, via Vermelho
 
Embora ainda se considere cedo para analisar as relações entre as recentes revoltas populares, a combinação entre a rapidez da comunicação no mundo globalizado, o empobrecimento relativo de algumas regiões da Europa e até mesmo a resistência do mundo ocidental ao programa nuclear iraniano têm influenciado diretamente a “onda democratizante” nos países árabes.
 
Para o professor Carlos Eduardo Vidigal, doutor em Relações Internacionais e professor de História pela Universidade de Brasília (UnB), é certo que há um “efeito dominó” influenciado por esses e outros fatores, mas é incerto o futuro desses países e a nova configuração geopolítica do mundo árabe. “São anos de regimes autoritários, muitos deles contando com a simpatia norte-americana. Há um choque entre a manutenção desses regimes e o mundo globalizado, com tamanha velocidade de informações”, comentou.

O primeiro governo a ruir diante das manifestações populares foi o da Tunísia, que hoje está sob um governo de transição. As revoltas culminaram com a deposição do presidente Zine El Abidine Ben Ali, que foi obrigado a deixar o país após 23 anos no poder. No Egito, os protestos levaram à renúncia o presidente Hosni Mubarak, há 30 anos no poder.
 
Neste domingo (13), em mais um “Dia da Raiva”, manifestantes no Yemen exigiram a saída imediata do presidente Ali Abdullah Saleh, que está no poder há 32 anos. Abdullah Saleh já anunciou que não diputará as eleições presidenciais em 2013, mas os manifestantes querem sua renúncia imediata, como fez o presidente do Egito.
 
Na Argélia, mais de 3 mil argelinos se concentraram na Praça Primeiro de Maio, pela redemocratização do país, no entanto a polícia conseguiu impedir que os manifestantes percorressem as ruas da cidade contra o presidente da Argélia, Abdelaziz Bouteflika, que governa o país desde 1999. O movimento de oposição argelino já está organizando uma marcha para o próximo sábado (19).
 
Para Vidigal, as redes sociais representam um fato novo com grande influência nesse processo. “O uso das redes sociais para as mobilizações, sem dúvida alguma, é um fato novo, como também é um fato novo o surgimento de democracias verdadeiramente populares”, destacou o professor.
 
“No Brasil, por exemplo, temos uma democracia que coexiste com a miséria, com muitos grupos empobrecidos. A princípio, vejo essas revoltas como algo positivo. A expectativa é que isso se transforme em uma melhor distribuição de renda. Mas é preciso ficar atento porque o povo nas ruas não agrada muito a qualquer governo, nem mesmo aos regimes democráticos”, criticou.
 
Nesse contexto, para o professor, os Estados Unidos têm muito a perder com uma reconfiguração do mundo árabe. “Os atuais regimes ditatoriais são fundamentais para o atual equilíbrio dos Estados Unidos. Um exemplo disso é o que ocorre na Arábia Saudita. Além da questão econômica, essas revoltas também podem despertar um sentimento de nacionalismo contrário aos Estados Unidos, o que seria contraproducente para os negócios norte-americanos.”

As sanções internacionais ao programa nuclear iraniano influenciaram as revoltas, na opinião de Vidigal, ao criarem a simpatia dos povos árabes ao programa do país persa. “Há o seguinte questionamento: Por que outros países puderam desenvolver seus programas nucleares, e até mesmo chegar ao artefato atômico, sem sofrerem pressão do Conselho de Segurança da ONU, liderado pelos Estados Unidos, França e Grã Bretanha?”, analisou. “Existe um sentimento de solidariedade com o Irã, mesmo não sendo um país árabe”, destacou.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

USA: DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS.


Surpresa: a Tunísia era uma ditadura

por Igor Fuser, do Jornal Brasil de Fato

Quando eu ingressei como redator na editoria de assuntos internacionais da Folha de S.Paulo, um colega veterano me ensinou como se fazia para definir quais, entre as centenas de notícias que recebíamos diariamente, seriam merecedoras de destaque no jornal do dia seguinte. “É só olhar os telegramas das agências e ver o que elas acham mais importante”, sentenciou. Pragmático, ele adotava esse método como um meio seguro de evitar que o noticiário da Folha destoasse dos jornais concorrentes, os quais, por sua vez, se comportavam do mesmo modo. Na realidade, portanto, quem pautava a cobertura internacional da imprensa brasileira era um restrito grupo de três agência noticiosas — Reuters, Associated Press e United Press International, todas afinadíssimas com as prioridades geopolíticas dos Estados Unidos.

Passadas mais de duas décadas, a cobertura internacional da mídia brasileira ainda se orienta por diretrizes estrangeiras. A única diferença é que agora as agências enfrentam a competição de outros fornecedores de informação, como a CNN e os serviços de empresas como a BBC e o New York Times, oferecidos pela internet. Mas o conteúdo é o mesmo. O resultado é que as informações internacionais que circulam pelo planeta, reproduzidas com mínimas variações em todos os continentes, são quase sempre aquelas que correspondem aos interesses de Washingon.

Quem confia nessa agenda está condenado uma visão parcial e distorcida, uma ignorância que só se revela quando ocorrem “surpresas” como a rebelião popular que derrubou o governo da Tunísia. De repente, o mundo tomou conhecimento de que a Tunísia — um país totalmente integrado à ordem neoliberal e um dos destinos favoritos dos turistas europeus — era governada há 23 anos por um ditador corrupto, odiado pelo seu povo. Como é que ninguém sabia disso?

A mídia silenciou sobre o despotismo na Tunísia porque se tratava de um regime servil aos interesses políticos e econômicos dos EUA. O ditador Ben Ali nunca foi repreendido por violações aos direitos humanos e, mesmo quando ordenou que suas forças repressivas abrissem fogo contra manifestantes desarmados, matando dezenas de jovens, o presidente estadunidense Barack Obama e sua secretária de Estado, Hillary Clinton, permaneceram em silêncio. Não abriram a boca nem mesmo para tentar conter o massacre. Só se manifestaram depois que Ben Ali fugiu do país, como um rato, carregando na bagagem mais de uma tonelada de ouro.

O caso da Tunísia não é o único na região. No vizinho Egito, outro regime vassalo dos EUA, Hosni Mubarak governa ditatorialmente desde 1981. Suas prisões estão lotadas de opositores políticos e as eleições ocorrem em meio à fraude e à violência, o que garante ao governo quase todas as cadeiras parlamentares. Mas o que importa, para o “Ocidente”, é o apoio da ditadura egípcia às posições estadunidenses no Oriente Médio, em especial sua conivência com o expansionismo israelense.
 
Por isso, a ausência de democracia em países como a Tunísia e o Egito nunca recebe a atenção da mídia convencional, ao contrário da condenação sistemática de regimes autoritários não-alinhados com os EUA, como o Irã e o Zimbábue. É sempre assim: dois pesos, duas medidas.

Igor Fuser é jornalista, doutorando em Ciência Política na USP, professor na Faculdade Cásper Líbero e membro do Conselho Editorial do Brasil de Fato

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Tribunal britânico autoriza soltura de Assange sob fiança

Do MSN Notícias
LONDRES (Reuters) - O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, que está preso na Grã-Bretanha após ter sido acusado na Suécia de crimes sexuais, foi autorizado nesta terça-feira por um tribunal a deixar a prisão sob pagamento de fiança.

O juiz Howard Riddle concedeu o direito de fiança até que seja realizada outra audiência no dia 11 de janeiro.

O australiano de 39 anos, cujo site WikiLeaks enfureceu os EUA ao começar a divulgar cerca de 250 mil comunicações diplomáticas sigilosas, foi acusado este ano de má conduta sexual com duas voluntárias suecas do WikiLeaks.

Assange nega as acusações e rejeita ser extraditado para a Suécia.

(Reportagem de Peter Griffiths)

EUA SENTEM FALTA DO TEMPO DOS ENTREGUISTAS


O Wikileaks vem revelando documentos que confirmam suspeitas que sempre foram rechaçadas pelos atores envolvidos.

Em relação ao Brasil, os últimos documentos comprovam que os americanos sempre estiveram insatisfeitos com a mudança na legislação do marco regulatório do petróleo, principalmente depois que foram descobertas reservas gigantescas dos campos do pré-sal e com o favoritismo dos avios franceses Dassault Rafale, em detrimento dos americanos da Boeing, e passaram a agir para conseguir seus objetivos.

Em relação ao pré-sal, para conseguir derrubar o novo marco regulatório que transfere a maior parte do lucro conseguido com venda do petróleo extraído, das petroleiras para o povo brasileiro, a Chevron se reuniu com o candidato derrotado para presidência da República pelo PSDB, José Serra, que prometeu agir caso eleito para retornar ao modelo antigo de concessão, que garantia lucro fácil às empresas estrangeiras e nada de retorno para a população.



“Deixa esses caras [do PT] fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava… E nós mudaremos de volta”, disse Serra a Patricia Pradal, diretora de Desenvolvimento de Negócios e Relações com o Governo da petroleira norte-americana Chevron, segundo relato do telegrama.

Durante a campanha, Serra desmentiu todas as vezes que foi confrontado com essa possibilidade, afirmando que a desconfiança era fruto de calúnias do PT. Jurou que não mexeria nas regras do pré-sal na campanha e prometeu o inverso para a Chevron. Em qual Serra poderíamos acreditar? No revelado pelo Wikileaks, que bate com um passado de entreguismo dele e do seu partido, ou no Serra anti-liberal da campanha que promoveu o episódio negro da história de nossas eleições: a farsa da bolinha de papel.

No episódio da licitação dos jatos da aeronáutica, Wikileaks revelou o serviço de lobby realizado por um senador de oposição, Heráclito Fortes do DEM, em favor dos aviões americanos. Segundo autoridades americanas, Heráclito é um “defensor” da licitação da Boeing.

Heráclito já era conhecido por representar no senado a defesa do banqueiro Daniel Dantas, recentemente condenado a dez anos por tentar subornar um delegado de polícia mas teve a condenação cancelada pela parte corrompida do judiciário que o banqueiro possui grande influência. O senador usava jatinhos do banqueiro para fazer seus deslocamentos até a sua prisão.

Esses dois casos refletem bem a forma serviçal e obscura com que tucanos e democratas mantém relações com governos e empresas americanas. Quando essas questões foram levantadas por Dilma e o PT nas eleições, cheguei a ler dezenas de editoriais e colunas condenando o terrorismo eleitoral, que não era nada daquilo que o PT estava insinuando, quando na verdade as preocupações eram legítimas e com fundamentos, e agora os documentos revelados provam de forma incontestável, porque nesses casos especiais os documentos não se tratam de divagações diplomáticas como em outros revelados, mas de relato de fatos.

Estou cada vez mais convencido que a vitória das eleições desse ano foi fundamental para o povo brasileiro, talvez mais que outras anteriores pelo simples fato que dessa vez selamos o destino da maior riqueza material já descoberta desse país, ou demos um passo gigantesco para selar.

Do blog do LEN

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

TODA SOLIDARIEDADE AO WIKILEAKS



Do Blogueiro: Simplesmente espetacular. LULA é o cara!

Quem dever esta sorrindo é o presidente da China, pois quando prenderam o Prêmio Nobel da Paz desse ano, não faltaram protestos.

Saiba mais sobre a conveniência para a liberdade de expressão aqui.
http://ocastendo.blogs.sapo.pt/1068544.html

 Não quero defender as violações da China, “mais me faça uma garapa” como se diz aqui na Bahia. É muita hipocrisia junta, cadê a “liberdade” de imprensa tão propalada pelo PIG.

HIPOCRISIA POUCA É BOBAGEM

 Situação dos EUA, após ler o site WIKILEAKS.

Nobel da paz agora vai para Assange?

Do Glog do LEN

Em determinadas ocasiões, a história é irônica com requintes de sarcasmo. O presidente da China, Hu Jintao, deve estar rolando de rir a essa hora no palácio presidencial de Nanjing, sobre os recentes acontecimentos envolvendo o governo americano, a justiça sueca e o dono do fenômeno Wikileaks, Julian Assange, que colocou de joelhos e despida, a diplomacia e a política externa dos EUA.

Há dois meses, a fundação Nobel, sediada na Suécia, e que no ano interior tinha dado o prêmio da paz para o presidente Barack Obama dos EUA (país envolvido em várias guerras e denúncias de desrespeito aos direitos humanos), premiou um chinês, Liu Xiaobo, que cumpre pena na China supostamente por participar de protestos contra o governo. O governo chinês alega que ele cometeu crimes contra as leis chinesas.

Existe autoritarismo por parte do governo chinês, isso é inegável, assim como são autoritários os governos dos EUA, Cuba, Israel e Irã e países arabes aliados dos americanos. O que questionei à época da premiação se apenas por ter coragem de ser oposição a um governo autoritário ele mereceria o prêmio em detrimento daqueles que realmente ajudaram em processos de paz pelo mundo.

Na época, Obama apareceu para elogiar o prêmio e pedir a libertação do Liu Xiaobo. Pequim chiou e disse que a premiação estava contaminada pela pressão política do governo e família real sueca para atacar um adversário dos EUA.

O mundo dá voltas e alguns dias depois o Wikileaks divulga a primeira leva de milhares de documentos sigilosos americanos e revela ao mundo segredos comprometedores em relação ao tratamento de direitos humanos de prisioneiros e população dos países que estão sob ocupação americana. A partir daí, os EUA movem céus e terra para calar a liberdade de expressão que não lhes seja favorável.

A justiça sueca atende Washington, emite ordem de prisão contra Assange para ouvi-lo de acusações feitas por procurador sueco de ter praticado sexo sem camisinha, e chamou a Interpol para pegar o grande foragido perigoso que poderia ejacular violentamente até exterminar as suas vítimas, desprovidas da proteção vital do latex.

Segundo informação passada por Stanley Burburinho, as administradoras de cartões de crédito Visa e Mastercard interromperam os pagamentos de doações feitas ao Wikileaks, mostrando coordenação nas ações de Washington contra Assange, que agora envolvem a participação de empresas privadas americanas. Ele informa ainda que as empresas Visa e Mastercard não se furtam de repassar doações feitas para o movimento racista Klu Klux Klan através de seus cartões.

Difícil mesmo vai ser para a Fundação Nobel explicar a diferença entre Assange e Xiaobo. Ambos são perseguidos políticos, presos por desagradar governos autoritários. As únicas diferenças são: a China não é aliada da Suécia, os EUA são, e a vida de Xiaobo não corre perigo, a de Assange corre.

Se Xiaobo tevê méritos para receber o prêmio, porque não Assange? a revelação de crimes contra os direitos humanos pode evitar que se repitam pela pressão da opinião pública, que em sua maioria rejeita esses crimes. A luta de Xiaobo é para tentar evitar que novos atentados contra os direitos humanos aconteçam na China, já a luta de Assange é para tentar evitar que aconteçam no mundo inteiro.

Hu Jintao poderia tripudiar em cima de Obama agora, com sabor de vingança, se pedisse para libertarem Assange em nome da liberdade de expressão e da democracia, duas propagandas enganosas americanas.

Tolice é criar expectativa que a velha mídia vá questionar autoridades brasileiras para se posicionarem de forma crítica em relação a essa atitude arbitrária da justiça sueca e do governo Barack Obama contra Assange. Será que vão cobrar que o Brasil se intrometa nos assuntos dos EUA como cobraram que fizesse no Irã, China, Cuba, Venezuela, Bolívia e Equador?

Onde estão agora os indignados que só pedem pela libertação e pela vida de dissidentes de países adversários da política externa dos americanos? Hipócritas, eles se recolhem para não serem cobrados pela falta de coerência.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

WIKILEAKS: O 1º PRESO POLÍTICO GLOBAL DA INTERNET

A Intifada eletrônica
 por Idelber Avelar, no O Biscoito Fino e a Massa

Julian Assange é o primeiro geek caçado globalmente: pela superpotência militar, por seus estados satélite e pelas principais polícias do mundo. É um australiano cuja atividade na internet catupultou-o de volta à vida real com outra cidadania, a de uma espécie de palestino sem passaporte ou entrada em nenhum lugar. Ele não é o primeiro a ser caçado pelo poder por suas atividades na rede, mas é o primeiro a sofrê-lo de um jeito tentacular, planetário e inescapável. Enquanto que os blogueiros censurados do Irã seriam recebidos como heróis nos EUA para o inevitável espetáculo de propaganda, Assange teve todos os seus direitos mais elementares suspensos globalmente, de tal forma que tornou-se o sujeito mundialmente inospedável, o primeiro, salvo engano, a experimentar essa condição só por ter feito algo na internet. Acrescenta mais ironia, note-se, o fato de que ele fez o mais simples que se pode fazer na rede: publicar arquivos .txt, palavras, puro texto, telegramas que ele não obteve, lembremos, de forma ilegal.
Assange é o criminoso sem crime. Ao longo dos dias que antecederam sua entrega à polícia britânica, os aparatos estatal-político-militar-jurídico dos EUA e estados satélite batiam cabeças, procurando algo de que Assange pudesse ser acusado. Se os telegramas foram vazados por outrem, se tudo o que faz o Wikileaks é publicar, se está garantido o sigilo da fonte e se os documentos são de evidente interesse público, a única punição passível, por traição, espionagem ou coisa mais leve que fosse, caberia exclusivamente a quem vazou. O Wikileaks só publica. Ele se apropria do que a digitalização torna possível, a reprodutibilidade infinita dos arquivos, e do que a internet torna possível, a circulação global da hospedagem dessas reproduções. Atuando de forma estritamente legal, ele testa o limite da liberdade de expressão da democracia moderna com a publicação de segredos desconfortáveis para o poder. Nesse teste, os EUA (Departamento de Estado, Justiça, Democratas, Republicanos, grande mídia, senso comum) deixaram claro: não se aplica a Primeira Emenda, liberdade de expressão ou coisa que o valha. Uniram-se todos, como em 2003 contra as “armas de destruição em massa” do Iraque. Foi cerco e caça geral a Assange, implacável.

Leia mais aqui.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

"SERRA ENTROU POBRE E SAIU RICO DO GOVERNO MONTORO"


Laerte Braga

O ministro aposentado do STM – SUPERIOR TRIBUNAL MILITAR – Flávio Bierrenbach, nomeado por FHC em 1999, na campanha eleitoral de 1988, quando José FHC Serra era candidato a prefeito de São Paulo, disse num programa eleitoral do antigo PFL que o tucano era corrupto, que havia entrado pobre e saído rico do governo de Franco Montoro (foi secretário de estado de Montoro).

A acusação de Bierrenbach foi ao ar para toda a cidade de São Paulo, reproduzida pela mídia e José FHC Serra ingressou em juízo com um processo contra o ex-amigo (foi a primeira mão que apertou quando chegou do exílio). Bierrenbach confirmou em juízo todas as denúncias e alegou exceção da verdade, figura jurídica que avocava o direito de provar que José FHC Serra entrou pobre e saiu rico do governo Montoro.

A revista CARTA CAPITAL cita na íntegra as declarações do ministro do STM.

José Serra entrou pobre na Secretaria de Planejamento do Governo Montoro e saiu rico... Ele usa o poder de forma cruel, corrupta e prepotente. Poucos o conhecem. Engana muita gente. Chama-se José Serra. Fez uma campanha para deputado federal miliardária. Prejudicou a muitos de seus companheiros”

E comparou-o a Paulo Maluf.

“Esses homens têm algo em comum. Uma ambição sem limites, uma sede de poder sem nenhum freio. E pelo poder são capazes de tudo”.

O processo movido por José FHC Serra contra Bierrenbach, por calúnia, injúria e difamação, correu na 2ª Zona Eleitoral e diante do juiz Walter Maierovitch o ministro Bierrenbach sustentou todas as acusações, repetiu-as e afirmou que iria prová-las. O juiz aceitou sua solicitação e o advogado de José FHC Serra pediu então que o processo fosse reduzido a injúria, o que não comporta em comprovação de ser verdadeiro o que se afirmou.

Como faz sempre que o tema não lhe apetece. Não responde, foge do assunto, irrita-se e ofende jornalistas.

A partir da confirmação das denúncias feitas pelo ministro Bierrenbach o então deputado José FHC Serra passou a usar expedientes jurídicos para evitar que o processo seguisse seu curso normal até que prescrevesse.

O jornal FOLHA DE SÃO PAULO (editado por um grupo corrupto e ligado à ditadura militar) tem conhecimento do fato, já que em 2002 publicou uma nota em que afirmava que o então candidato a presidente Ciro Gomes iria usar as imagens de Bierrenbach em seu programa eleitoral.

Hoje, no bolso de José FHC Serra, imprensa podre, a FOLHA sequer toca no assunto.

O programa eleitoral em que Flávio Bierrenbach faz as acusações a José FHC Serra foi ar em 28 e 29 de outubro de 1988.

Covarde, José FHC Serra evitou que a peça de defesa de Flávio Bierrenbach fosse levada às últimas conseqüências. O ministro pedia à época uma investigação financeira com levantamento nos gastos, fontes de receita e movimentações financeiras de Serra.

Ao mudar a figura jurídica para injúria, José FHC Serra, corrupto e venal, evitou as provas que seriam apresentadas.

Hoje, ao ser procurado pela revista CARTA CAPITAL para falar sobre o processo o ministro aposentado do STM confirmou a existência do processo, que sumiu no foro de São Paulo pelas mãos de um juiz amigo de Serra e disse textualmente.

“A única possibilidade de conversa civilizada que eu tenho com José Serra é o silêncio”

Para evitar a apresentação das provas José FHC Serra contratou um batalhão de advogados e enfiou a injúria, a calúnia e a difamação no saco, é corrupto e venal, não tinha como provar o contrário, não tem como até hoje, até mandado de segurança impetrou para tentar abafar o caso.

Amoral absoluto. Destituído de caráter, honra, de coragem. Bandido em todos os sentidos.

O juiz de José FHC Serra era Francisco Prado de Oliveira Ribeiro, foi secretário de Habitação do governo de São Paulo e não era juiz de carreira (TRE). Sentou em cima do processo para que José FHC Serra não se visse diante de provas contundentes de banditismo na atividade política.

O alvo de José FHC Serra atualmente, com Itamar Franco carregando sua pasta e um passo atrás, com todos os sapos (genéricos e real sendo digeridos sem problema de caráter) agora é o Brasil e os brasileiros.

No caso do engenheiro que ficou com quatro milhões da campanha, não há com o que se preocupar. Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão.

A bolsa ou a vida. É o revólver que José FHC Serra encosta na cabeça dos brasileiros com suas mentiras e a desfaçatez apoiado pela mídia privada, corrupta igual a ele.

Do Blog: QTML

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Michael Hudson: “Modelo econômico dos EUA está falido”


 
Segundo o economista norte-americano, os EUA impulsionaram um modelo econômico que está falido e, com o advento da mais recente crise econômica global, cabe agora aos países que compõem o Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) usar sua força conjunta para colocar em marcha um modelo alternativo: “Quando o EUA diz que os países do Bric ainda têm espaço para aumentar suas dívidas, o que quer dizer é que estes países ainda têm minas que podem ser vendidas e ainda têm florestas que podem ser cortadas. Nos próximos anos, o Norte vai fazer o máximo possível para pegar os seus recursos”, disse Hudson, durante seminário promovido pelo CDES em Brasília.

Maurício Thuswohl

BRASÍLIA - “No cinema, nós já tínhamos o Michael Moore. Agora, na economia, temos o Michael Hudson”. A brincadeira feita pelo conselheiro Jacy Afonso de Melo revela o impacto causado pela intervenção do economista e professor da Universidade do Missouri na quinta-feira (16), durante sua participação em um seminário internacional promovido pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) em Brasília. Hudson, um ex-economista de Wall Street, mereceu repetidos aplausos dos participantes do seminário ao apresentar, assim como o xará cineasta, um ponto de vista ácido e crítico sobre o modelo econômico de seu país.

Segundo o economista norte-americano, os Estados Unidos impulsionou “um modelo econômico que está falido” e, com o advento da mais recente crise econômica global, cabe agora aos países que compõem o Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) usar sua força conjunta para colocar em marcha um modelo alternativo: “Quando o EUA diz que os países do Bric ainda têm espaço para aumentar suas dívidas, o que quer dizer é que estes países ainda têm minas que podem ser vendidas e ainda têm florestas que podem ser cortadas. Nos próximos anos, o Norte vai fazer o máximo possível para pegar os seus recursos”, disse Hudson, em uma de suas muitas frases de impacto.

Hudson afirmou que o governo norte-americano passou 50 anos obrigando os países em desenvolvimento a contrair empréstimos que, na verdade, tinham como objetivo principal a criação de uma infra-estrutura que facilitasse a exportação de grãos, minério e outras matérias-primas para os EUA: “Mais tarde, em sua fase neoliberal, o governo dos EUA perguntou: por quê vocês, para pagar as dívidas que contraíram conosco, não vendem as estradas e portos que construíram com o dinheiro que emprestamos?”, concluiu.

Instituições como o FMI e o Banco Mundial, na visão de Hudson, foram criadas com o objetivo de fazer com que os países em desenvolvimento dependessem dos EUA. Segundo o economista, a adoção do dólar como moeda de parâmetro para a economia mundial foi, ao lado do que qualificou como “dependência militar”, o principal fator de fortalecimento para a hegemonia norte-americana: “Por isso, os Brics podem criar novas estruturas econômicas que não sejam baseadas no poder militar dos EUA”, disse.

Hudson citou o exemplo da China, “a quem os EUA só deixam gastar sua riqueza para comprar bônus do Tesouro americano”, para afirmar que o Brasil, fortalecido pela travessia sem grandes traumas da crise econômica global, pode seguir outro caminho: “O Brasil pode criar os seus próprios créditos, e vocês não precisam de moeda estrangeira para fazer a economia funcionar”.

Novo sistema financeiro

Além de Michael Hudson, outros palestrantes estrangeiros analisaram a conjuntura econômica mundial. Também norte-americano e pesquisador da Universidade do Missouri, Larry Randall Wray pregou a necessidade de criação de um novo sistema financeiro internacional: “Esse sistema deve ter um mecanismo de pagamento sólido e seguro, promover empréstimos menos longos, adotar um mecanismo de financiamento imobiliário sólido e um ativo de capitais a longo termo”, disse Wray, acrescentando que “esses ajustes não precisam ser feitos necessariamente pelo setor privado”.

Diretor do Observatório Francês de Conjunturas Econômicas (OFCE), Xavier Timbeau defendeu a adoção de programas de renda-mínima pelos países em desenvolvimento: “Precisamos adotar novos indicadores de riqueza que não sejam meramente econômicos. Não digam que para reduzir a pobreza basta aumentar o crescimento da economia” disse o economista francês.

O economista mexicano Julio Boltvinick também sugeriu “uma abordagem crítica sobre o paradigma dominante que reduz o bem-estar humano ao bem-estar econômico” e defendeu a adoção de novos conceitos de bem-estar: “Riqueza por si só gera poder, mas não gera necessariamente bem-estar”. Boltvinick defendeu ainda a criação de um índice de progresso social e a adoção de um indicador de tempo livre como formas de medir a desigualdade social em cada país: “Uma sociedade justa tem um tempo livre igualitário”.

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