quarta-feira, 25 de maio de 2011

“A doutrina neoliberal enjaulou a economia política”

A doutrina neoliberal enjaulou o livre pensamento da política econômica através do estudo criptografado de uma pretensa ciência exata. Por detrás da enganosa bandeira do liberalismo, se pretende incorporar no programa uma matematização derivada de abstrações que funcionam sob supostas simplificações da realidade. A academia está em dívida. Não apenas por não ter feito uma autocrítica, mas também porque avança no objetivo de formar economistas que não serão capazes de perceber as relações de poder. O artigo é de Mariano Kestelboim, economista e diretor da Fundação Pro Tejer.

(*) Publicado originalmente em português no IHU/Unisinos

Na contramão do processo de recuperação da soberania nacional, iniciado após a grande crise da conversibilidade, a proposta de reforma no currículo de estudos da carreira de Licenciatura em Economia da Universidade Nacional de La Plata representa uma anacrônica tentativa de aprofundar nichos ao anti-desenvolvimentismo.

Por detrás da enganosa bandeira do liberalismo, se pretende incorporar no programa rigorosa matematização derivada de abstrações que funcionam sob supostas simplificações da realidade. Desse modo, os propulsores da reforma buscam retirar da disciplina boa parte do conteúdo social, político e histórico e os principais instrumentos metodológicos para o desenvolvimento de pesquisas.

A estratégia para encobrir as mudanças consiste em agregar um sistema de disciplinas optativas. De um total de quinze matérias sob essa nova modalidade, os alunos devem escolher dez para cumprir o programa. No entanto, das quinze matérias propostas como não obrigatórias, treze são de conteúdos sociais, ficando apenas quatro dessas sob o regime obrigatório de um total de vinte e duas matérias. Além disso, o plano do novo curso pretende continuar orientando as habilidades dos alunos para o desenvolvimento de projetos de lucro privado de caráter individual, apesar dessa fórmula ter alimentado a decadência da economia nacional.

As políticas economicas neoliberais, caracterizadas pelas regras de mercado como orientadoras do funcionamento da sociedade se impuseram no país a partir do terrorismo de Estado em meados dos anos setenta. A estratégia foi ampla, renomearam a economia política como ciência econômica e passaram a influenciar a imprensa, a cultura e a administração pública. Essas áreas foram complementares para cumprir o objetivo de desintegrar a indústria, romper com a organização operária, despolitizar a sociedade, exacerbar o consumismo promover o individualismo, controlar os recursos nacionais e desprestigiar o papel do Estado.

O surpreendente do poder anti-desenvolvimentista foi tanto o ocultamento das relações de força como também a permanência de sua legitimidade, apesar de sua ineficacia em responder a favor dos interesses nacionais nas crises. O paradigma neoliberal não foi capaz de oferecer explicações consistentes e propostas de mudança que não agravassem a crescente depressão e desigualdade social.

Na última fase da crise sobreveio o Plano Félix que se constituíu no primeiro espaço acadêmico que sem abandonar a lógica capitalista, se tratou de um plano – publicado em dezembro de 2011 – de recuperação da economia, afastando-se da ortodoxia.

A consolidação do neoliberalismo se conseguiu, principalmente, através do êxtase diante dos centros do poder mundial, de uma academia dominante e vazia de nacionalismo. Ela desacreditou a todos aqueles que a enfrentaram. A sua lógica discriminatória foi se fortalecendo através de prêmios (bolsas, subsídios e estágios) que as universidades das nações mais desenvolvidas deram aos graduados com melhores notas dos países periférico.

As inconsistências do modelo de estudo neoliberal fracassaram também no resto do mundo. A crise internacional atual e os enormes custos sociais são uma clara amostra da incapacidade da teoria neoliberal em prevenir as crises e projetar políticas que as resolvam. De fato, hoje, até no mundo desenvolvido essas questões estão sendo colocadas. Por isso tudo, o plano de estudos proposto revela uma grande desatualização por aqueles que o propõe.

Lamentavelmente os conteúdos debatidos na universidade platense, agravarão a desumanização do estudo da disciplina. A doutrina neoliberal enjaulou o livre pensamento da política econômica através do estudo criptografado de uma prentesa ciência dura. A academia está em dívida. Não apenas por não ter feito uma autocrítica, mas também porque avança no objetivo de formar economistas que não serão capazes de perceber as relações de poder.

Se pensarmos bem, veremos que não desenvolverão condições de cumprir o seu principal dever profissional: realizar pesquisas sobre os problemas existentes e planejar políticas que permitam alterar as relações de força para gerar mudanças estruturais de promoção do desenvolvimento.

Tradução: Cepat

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Nunca Dantes criou 15 milhões de empregos. Ele dá de 10 a 0 no FHC | Conversa Afiada

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quinta-feira, 5 de maio de 2011

quarta-feira, 4 de maio de 2011

WikiLeaks: Facebook, a mais apavorante máquina de espionagem já inventada


Assange chama Facebook de ‘máquina de espionagem’

O Globo, Publicada em 03/05/2011 às 14h04m

RIO – Em entrevista ao programa de TV Russia Today, Julian Assange, a face pública do WikiLeaks, classificou o Facebook de “a mais apavorante máquina de espionagem já inventada.”

- (Em sites como o Facebook) nós temos o banco de dados mais abrangente sobre as pessoas, seus relacionamentos, nomes, endereços, localização e as conversas entre elas, seus parentes, tudo à disposição dos serviços de inteligência americanos – afirmou Assange, que aguarda extradição para Suécia. – Quando as pessoas adicionam seus amigos no Facebook, eles estão trabalhando de graça para as agências dos Estados Unidos.

Assange cita ainda Google e Yahoo como exemplos de páginas que ajudam os EUA a espionar os cidadãos. Ele não chegou a dizer que os sites são gerenciados pelo governo – como críticos radicais das redes sociais e afins já disseram -, mas disse que as agências podem pressionar legal e politicamente as empresas de internet.

FIQUE DE OLHO

PORCENTUAL DE POBRES CAI MAIS DE 50% NO GOVERNO LULA

A pobreza no Brasil caiu 50,64% entre dezembro de 2002 e dezembro de 2010, período em que Luiz Inácio Lula da Silva esteve à frente da presidência da República. O dado consta da pesquisa divulgada nesta terça-feira, 3, pelo professor do Centro de Politica Social da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Marcelo Neri. O critério da FGV para definir pobreza é uma renda per capita abaixo de R$ 151. A desigualdade dos brasileiros, segundo ele, atingiu o "piso histórico" desde que começou a ser calculada na década de 60.

Segundo o estudo, a queda da pobreza nos mandatos de Lula superou a registrada durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, incluindo o período de implementação do Plano Real. Nesse período, a pobreza caiu 31,9%. "Acho que essa década (anos 2000) pode ser chamada de década da redução da desigualdade; assim como os anos 90 foram chamados de década da estabilização", afirmou Neri.

O estudo toma como base dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilio (Pnad) e Pesquisa Mensal de Emprego (PME). Pela pesquisa, a renda dos 50% mais pobres cresceu 67,93% entre dezembro de 2000 e dezembro de 2010. No mesmo período, a renda dos 10% mais ricos cresceu 10%.

Desigualdade. A desigualdade de renda dos brasileiros caiu nos anos 2000 para o menor patamar desde que começou a ser calculada, mas ainda está abaixo do padrão dos países desenvolvidos, segundo Neri. Ele tomou como base para o estudo o índice de Gini, que começou a ser calculado nos anos 60. Com esse resultado, o País recuperou todo o crescimento da desigualdade registrado nas décadas de 60 a 80.
O índice Gini brasileiro está em 0,5304, acima do taxa de 0,42 dos Estados Unidos. Quanto mais próximo do número 1, maior a desigualdade. "Acredito que ainda vai demorar mais uns 30 anos para que possamos chegar aos níveis dos EUA", estimou Neri.

Para o professor da FGV, o aumento da escolaridade e o crescimento dos programas sociais do governo foram os principais responsáveis pela queda da diferença de renda dos brasileiros mais ricos e mais pobres entre 2001 e 2009. "Isso mostra que a China não é aqui", afirmou. E completou: "O grande personagem dessa revolução é o aumento da escolaridade. Mas, ainda temos a mesma escolaridade do Zimbábue", mostrando que há um longo caminho a ser percorrido.

Estudo da Fundação Getúlio Vargas indica ainda que em 2010 o País atingiu menor nível de desigualdade de renda desde 1960.

Agência Estado

sexta-feira, 11 de março de 2011

Nunca dantes! Mais um prêmio para Lula.

Lula ganha prêmio espanhol por luta contra pobreza e exclusão social

Ontem foi anunciado que o ex Presidente Lula vai receber prêmio Mikhail Gorbachev.Lula 'foi eleito por mudar o mundo no início do século XXI ao dirigir o renascimento do Brasil'. Leia aqui. Menos de 24 horas depois do anuncio, a agência de notícia EFE, divulgou nesta manhã de sexta feira (11/03), outro prêmio; Lula ganha prêmio espanhol por luta contra pobreza e exclusão social.

Leia mais aqui.

Do Blogueiro: Tem gente cortando os pulsos!!!

quarta-feira, 9 de março de 2011

REFLEXÃO PARA NÓS BRASILEIROS


Hoje, 400 norte-americanos têm a mesma quantidade de dinheiro que metade da população dos EUA, somando-se o dinheiro de todos.

Vou repetir. 400 norte-americanos obscenamente ricos, a maior parte dos quais foram beneficiados no ‘resgate’ de 2008, pago aos bancos, com muitos trilhões de dólares dos contribuintes, têm hoje a mesma quantidade de dinheiro, ações e propriedades que tudo que 155 milhões de norte-americanos conseguiram juntar ao longo da vida, tudo somado. Se dissermos que fomos vítimas de um golpe de estado financeiro, não estamos apenas certos, mas, além disso, também sabemos, no fundo do coração, que estamos certos.

Saiba mais aqui.

sábado, 5 de março de 2011

Guerras do Afeganistão e Iraque sugam orçamento dos EUA



Enquanto o noticiário internacional se concentra nas revoltas no Oriente Médio e no norte da África, os Estados Unidos seguem alimentando suas duas guerras prioritárias no Iraque e no Afeganistão. Os custos para sustentá-las estão afetando diretamente os orçamentos dos estados e da União. Os EUA gastam cerca de 2 bilhões de dólares por semana somente no Afeganistão, o que representa cerca de 104 bilhões de dólares ao ano – isso sem incluir o Iraque. Cerca de 45 estados mais o distrito de Columbia projetam déficits orçamentários de um total de 125 bilhões de dólares para o ano fiscal de 2012. As contas são simples: o dinheiro deveria ir para os estados, em lugar de ser gasto em um estado de guerra. O artigo é de Amy Goodman, do Democracy Now.

Amy Goodman - Democracy Now

Wisconsin, Indiana, Ohio, Idaho...estas são as últimas frentes na batalha dos orçamentos, com uma luta mais ampla que surge como a raiz da possível repressão por parte do governo dos Estados Unidos. Estas lutas, que surgem da ocupação do edifício do Capitólio de Wisconsin, têm como pano de fundo as duas guerras que os Estados Unidos levam adiante no Iraque e no Afeganistão. Não pode haver uma discussão nem um debate sobre orçamentos, salários, aposentadorias ou déficits sem uma análise clara de quais são os custos destas guerras e os benefícios incalculáveis de por um fim às mesmas.

Em primeiro lugar, o custo da guerra. Os EUA gastam cerca de 2 bilhões de dólares por semana somente no Afeganistão, o que representa cerca de 104 bilhões de dólares ao ano – isso sem incluir o Iraque. Comparemos esta cifra com o déficit do orçamento federal. Segundo um recente informe do grupo independente Centro sobre Prioridades Orçamentárias e políticas, “cerca de 45 estados mais o distrito de Columbia projetam déficits orçamentários de um total de 125 bilhões de dólares para o ano fiscal de 2012”. As contas são simples: o dinheiro deveria ir para os estados, em lugar de ser gasto em um estado de guerra.

O presidente Barack Obama não dá sinais de que vá terminar nem a ocupação do Iraque nem a atual guerra no Afeganistão. Pelo contrário, durante a campanha eleitoral prometeu ampliar a guerra no Afeganistão e essa promessa se cumpriu. Então, como marcha a guerra de Obama? Não muito bem.

Durante este período, foi registrado o maior número de mortes de civis no Afeganistão desde que começou a invasão encabeçada pelos Estados Unidos em outubro de 2001. Informou-se que, recentemente, sessenta e cinco civis foram assassinados em Kunar, perto do Paquistão, onde o aumento das mortes de civis provocou o aumento do apoio popular para o Talibã. Em 2010, também se deu o maior número de mortes de soldados estadunidenses, chegando a um total de 711 estadunidenses e aliados mortos no Afeganistão. O número de soldados mortos segue alto em 2011 e a previsão é de que os enfrentamentos se intensifiquem quando terminar o inverno.

O Washington Post informou recentemente que o controvertido programa de aviões não tripulados de Obama, implementado pela CIA, por meio do qual aviões não tripulados sobrevoam zonas rurais do Paquistão para lançar mísseis Hellfire contra supostos “militantes suspeitos”, matou pelo menos 581 pessoas, das quais apenas duas estavam em uma lista estadunidense de pessoas suspeitas de ser “militantes de alto nível”. Há muitas provas de que os ataques com aviões não tripulados, que aumentaram drasticamente durante o governo de Obama, matam civis, sem mencionar o apoio civil paquistanês aos EUA.

Enquanto isso, no Iraque, a democracia que os neoconservadores em Washington pretendiam entregar a ponta de pistola com sua estratégia de “impacto e intimidação” poderia finalmente estar chegando, não com a ajuda dos EUA, mas sim inspirada nos levantes populares pacíficos na Tunísia e no Egito. No entanto, a Human Rights Watch acaba de informar que enquanto as pessoas protestam e os dissidentes se organizam, “os direitos dos cidadãos mais vulneráveis do Iraque, especialmente mulheres e presos, são violados sistemática e impunemente”.

Samer Muscati, investigador da Human Rights Watch no Iraque acaba de sair desse país. Ele disse: “Uma das coisas que temos monitorado é a tortura no Iraque. E lamentavelmente a tortura segue sendo sistemática e generalizada nos centros de detenção. Os detentos se queixam habitualmente dos maus tratos que sofrem. Quando estivemos lá há duas semanas, descobrimos outra prisão secreta em Bagdá, administrada por forças de segurança de elite, ligadas ao escritório do ministro, sem nenhum tipo de prestação de contas. E estas forças mantiveram os mantidos incomunicáveis. Efetivamente, estão desaparecidos. Não têm contato com seus familiares nem com advogados, e os inspetores de direitos humanos estão proibidos de visitá-los. Então os problemas de direitos humanos no Iraque são graves”.

Surgiram protestos em outra Praça Tahrir, em Bagdá (sim, Tahrir significação “libertação” no Iraque e no Egito), contra a corrupção e para exigir empregos e melhores serviços públicos. As forças do governo iraquiano mataram 29 pessoas no fim de semana e detiveram outras 300, entre elas trabalhadores da área de direitos humanos e jornalistas.

No entanto, os Estados Unidos continuam desviando dinheiro e soldados para estas guerras intermináveis. Michael Hastings, da revista Rolling Stone, cujo artigo trouxe à luz o comportamento inaceitável do general Stanley McChrystal, acaba de expor o que denomina uma operação ilegal do tenente general William Caldwell no Afeganistão, na qual o exército dos Estados Unidos montou uma “operação psicológica” contra senadores estadunidenses e outras autoridades que visitavam o país, para obter apoio e mais financiamento. Segundo uma das fontes militares de Hastings, Caldwell perguntou: “O que temos que fazer para que esses tipos nos mandem mais gente? O que preciso pôr na cabeça deles?”.

Arnold Fields, inspetor geral especial para a reconstrução do Afeganistão (SIGAR, na sigla em inglês), recentemente aposentado, acaba de informar que 11,4 bilhões de dólares estão em risco devido a um planejamento inadequado. Outro grupo, a Comissão Estadunidense para Contratos em Tempos de Guerra “concluiu que os EUA desperdiçaram dezenas de bilhões de dólares dos quase 200 bilhões gastos em contratos e subsídios desde 2002 para apoiar as operações militares, de reconstrução e outras operações do país no Iraque e Afeganistão”.

Isso nos remete aos professores, enfermeiros, policiais e bombeiros em Wisconsin. Mahlon Mitchell, presidente dos Bombeiros Profissionais de Wisconsin, me disse na praça do Capitólio, em Madison, por que os bombeiros sindicalizados estavam ali, apesar de seu sindicato não estar entre os afetados pelo projeto de lei do governador Scott Walker.

Mahlon Mitchell disse: “Sabemos que o governador estava utilizando a tática de nos dividir para reinar. Isso é um ataque à classe média. Basicamente está tratando de separar a classe média e os sindicatos para nos enfrentar e se livrar de nós e da negociação coletiva. Nós não íamos ficar sentados esperando que isso acontecesse”.

Se deixarmos de atacar o povo no Iraque e no Afeganistão, podemos evitar estes ataques contra os pobres e a classe média em nosso país.

(*) Denis Moynihan colaborou na produção jornalística desta coluna.

(**) Amy Goodman é apresentadora do Democracy Now!, um noticiario internacional transmitido diariamente para mais de 600 emissoras de rádio e televisão em inglês e em mais de 300 em español. É co-autora do libro “Os que lutam contra o sistema: heróis ordinários em tempos extraordinários nos Estados Unidos”, editado pelo Le Monde Diplomatique Cone Sul.

Tradução: Katarina Peixoto

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